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Artigos de leitores

Pare de mendigar migalhas

Por Juliano Schiavo

22 set 2020 às 08:55

Nessas idas e vindas da vida, tenho conversado com muitos amigos e conhecidos. Visto de perto e vivenciado situações que implicam em decisões dolorosas, pois envolvem laços desfeitos. E sim, é preciso falar de términos, de fim de ciclos, de histórias que terminaram. Por mais difícil que seja aceitar, tudo tem finitude, é efêmero, tal qual o dia que nasce com o raiar do sol e repousa com o breu a descer um véu escuro.

Eu sei, não queremos que certas situações, vivências e relações terminem, pois trazemos na memória recordações boas. Porém, em certos momentos, elas seguem seu fluxo e é preciso, por mais doloroso que seja, vivenciar o luto. Terminou. Acabou. E qualquer reticência que surgir ali, será apenas prenúncio de dores. Vale a pena insistir?

Há um ditado que diz que uma pessoa nunca se banha no mesmo rio. Toda vez que se entra nas águas dele, não são as mesmas. Elas passaram. Seguiram seu fluxo. Portanto, insistir ali, buscando o que não mais existe, é nadar contra a correnteza, ao ponto de perder as forças e esquecer da maior prioridade: o seu bem-estar.

Tenha um ato de carinho por você. Se perceber que o interesse parte apenas de você, entenda, a outra parte não se importa. Ela sabe que, com o estalar dos dedos, você estaria ali presente. E ela, faria o mesmo por você ou ofereceria apenas migalhas, que você vorazmente aceitaria por achar que não merece mais?

Entenda que mais vale a sua genuína solidão, do que estar ao lado de pessoas que são fantasmas em vida. Que te olham enquanto prestadores de benfeitorias, mas não te enxergam enquanto ser humano, com sentimentos. O que posso aconselhar é que você respeite a sua integridade: faça primeiro por você, não pelo outro, por mais difícil que seja. Afaste-se do que te faz mal e cuide, com muito carinho, de você. Afinal, você merece muito mais do que migalhas.

Juliano Schiavo
Jornalista, escritor e professor

Colaboração

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