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Economia no dia a dia

O PIB caiu! E daí?

Professor Marcos Dias explica como a variação do PIB afeta o dia a dia das pessoas

Por Marcos Dias

07 set 2020 às 11:43

Recentemente a imprensa nacional divulgou que a atividade econômica brasileira (produção de mercadorias e serviços) teve uma queda de 9,7% no segundo trimestre deste ano, em comparação com o trimestre anterior (janeiro a março, portanto antes da pandemia!) que, aliás, também já havia apresentado uma queda acentuada de 2,5%. Essa foi a maior queda na história econômica brasileira, e colocou a produção nacional no mesmo valor de 2009!  

Quando se diz que a atividade econômica de um país cresceu (ou diminuiu) de um período para outro (nesse caso, de um trimestre para outro), está se utilizando como referência um termo econômico chamado Produto Interno Bruto, ou PIB, que nada mais é do que a quantidade total de bens e serviços que o país produziu durante aquele período, medido na moeda local (reais).

Esse cálculo é feito periodicamente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é o órgão público responsável no Brasil por isso, e utiliza como método um sistema de contabilidade muito parecido com o utilizado pelas empresas, que compara com o resultado obtido no período anterior, divulgando assim a variação entre os períodos, que resulta no final no PIB daquele ano.

Isso significa que se somarmos todos os valores das mercadorias e dos serviços produzidos pelo Brasil no ano passado (carros, alimentos, cortes de cabelo, aulas de professores de inglês, pizzas, viagens aéreas, etc.) dará o valor do PIB do período analisado. Um exemplo é caso do PIB do ano passado (2019), que somando todos os bens e serviços produzidos e vendidos chegou-se a um valor total em reais de R$ 7,25 trilhões (que, por sua vez, representou um aumento de apenas 1,1% em relação ao ano de 2018).   

Mas como a variação do PIB afeta o dia a dia das pessoas? Ele afeta da seguinte forma:

a) nos salários: o PIB interfere diretamente no aumento do salário mínimo fixado pelo governo, e que serve de referência para pagamento dos aposentados e pensionistas, pois o governo se baseia no crescimento da Economia e da inflação para determinar qual será o novo salário mínimo. Além disso as empresas, ou perceberem que a atividade econômica está fraca, evitam conceder aumentos aos funcionários em períodos de dissídio coletivo.  

b) no emprego: se o PIB cresce é porque as pessoas estão comprando mais, e por isso as empresas contratarão mais para atender a este aumento do consumo, e por outro lado, se o PIB cresce pouco, as empresas irão contratar pouco também, pois o consumo está fraco.

c) nos juros: quando o PIB está crescendo pouco, as taxas de juros dos bancos tendem a subir, pois estes bancos terão mais riscos de não receber seus empréstimos devido ao aumento da inadimplência, geralmente em conseqüência do aumento do desemprego.  

d) nas dívidas: esse quadro de aumento do desemprego e dos juros tende a aumentar o endividamento das pessoas, pois elas ficam impossibilitadas de pagar as dívidas contraídas. Por isso deve-se evitar assumir novas dívidas nesse período.

Marcos Dias

Conteúdo desenvolvido pelo economista e professor de economia da Fatec (Faculdade de Tecnologia) de Americana, Marcos Dias.