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Editorial

Liderança sem achismo

Por Grupo Liberal

16 abr 2020 às 11:44 • Última atualização 27 abr 2020 às 11:44

A crise do novo coronavírus (Covid-19) provocou uma situação que deveria ser uma das últimas que se poderia esperar diante de um problema tão grande e inédito, que exige um trabalho técnico de alto nível e muito bem integrado.

O racha entre o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem seus últimos episódios por estes dias, que deve culminar na queda de quem, até então, liderava o combate à pandemia no País.

Na manhã desta quarta-feira, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, chegou a pedir demissão do cargo, recusada no final da tarde pelo ministro. É ele o responsável pela formulação das políticas de enfrentamento do coronavírus, um dos principais nomes da equipe do ministério sobre o tema. O pedido ocorreu logo após o ministro Mandetta comunicar a equipe que seria demitido até esta sexta-feira.

Os embates entre Bolsonaro e o ministro da Saúde se tornaram a grande crise política desta pandemia. Se por um lado Mandetta defendia o isolamento e medidas que restringiam, por exemplo, o funcionamento dos comércios, Bolsonaro, inicialmente, tratava o novo coronavírus como uma “gripezinha”, argumentava em favor de uma retomada da “vida normal” aos brasileiros e apelava para o uso de hidroxicloroquina, mesmo sem eficácia comprovada, e como se fosse a grande solução para os doentes.

Inclua-se ainda o histórico de episódios e declarações protagonizadas pelo presidente e por seus filhos: altercações com os chineses, com governadores, visitas não recomendadas a locais públicos e um pronunciamento em cadeia nacional que minimizava a doença para quem, como ele, tinha um “histórico de atleta”.

A demissão iminente de Mandetta é uma tentativa de Bolsonaro tomar as rédeas do combate ao vírus, uma função que seria natural a um presidente da República desde que este não menosprezasse o conhecimento científico, as recomendações de autoridades técnicas de saúde nem fizesse piada de uma doença que matou mais de 100 mil pelo mundo. Não por acaso, o racha se deu.

Se pretende, finalmente, liderar o País contra o coronavírus, que Bolsonaro deixe seu achismo de fora do jogo, sob o risco de se tornar uma nova ameaça à saúde pública. É preciso técnica, informação e ciência, e não ideologia.

O Liberal