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Editorial

Lava Jato, 10 anos

Depois de anos revelando esquemas de corrupção, a investigação foi desconstruída por vazamentos de mensagens e decisões do STF

Por Redação

17 de março de 2024, às 09h16 • Última atualização em 17 de março de 2024, às 09h17

A Operação Lava Jato completa, neste domingo, 10 anos. Depois de anos revelando esquemas de corrupção e colocando empresários e políticos dos maiores quilates atrás das grades, a investigação foi desconstruída por vazamentos de mensagens e decisões do STF (Supremo Tribunal Federal).
Por aqui, a operação teve seus personagens. Em Americana, o ex-vereador Alexandre Romano se tornou delator de esquemas envolvendo ministros do governo petista. Em Sumaré, empresários foram presos acusados de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras.

A Lava Jato teve seus méritos. Baseada em instrumentos como a colaboração premiada e os acordos para a devolução de dinheiro, a operação conseguiu demonstrar força para denunciar casos que envolviam movimentações financeiras complexas, em larga escala e criminosas. A criação de uma força-tarefa dedicada ao caso e o compartilhamento de informações com outros órgãos de investigação, além da publicidade que deram aos documentos da operação, foram ainda essenciais para seu desenrolar e para o apoio popular.

Mas, com a mudança inerente ao céu da política e um episódio inesperado e contestável, os principais atores da operação se viram fustigados por uma invasão hacker que expôs o submundo da Lava Jato. Tornou-se difícil se mostrar alheio aos diálogos vazados entre o juiz Sérgio Moro e procuradores, com teores que não se coadunam com a imparcialidade que se espera.

Com a imagem desgastada, a Lava Jato, que prendeu Lula, viu o ex-presidente capitanear a derrocada da operação ao conseguir no Supremo o reconhecimento da parcialidade e da perseguição política que dizia ser alvo. E Moro se tornou ministro de Jair Bolsonaro, em outro passo que contribuiu para a politização da operação.

Dez anos depois, empresas que fecharam acordos para a devolução de milhões de reais agora contestam, com decisões favoráveis do Supremo lhes beneficiando. A legislação que fortalecia a atuação dos investigadores também foi enfraquecida. Não há, portanto, perspectiva de que tamanha investigação volte a ser realizada a curto prazo no País. Por outro lado, difícil esperar que os corruptos tenham aprendido algo.

O Liberal

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