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Editorial

Guardiões da mentira

Por Redação

02 set 2020 às 08:18

Ainda que não tenha uma relação direta com a região, o assunto deste espaço nesta quarta-feira diz respeito a uma situação que atinge – e encontra alguns paralelos – o jornalismo de forma geral, como o que é feito por aqui, pelo Grupo Liberal, seja no impresso, no digital ou nas rádios.

Uma reportagem da TV Globo mostrou na última segunda-feira como o governo municipal do Rio de Janeiro atua para atrapalhar o trabalho de jornalistas que queiram mostrar problemas na saúde pública da cidade.

Servidores da prefeitura se organizam para vigiarem portas de hospitais e unidades de saúde à espera de reportagens e entrevistas que critiquem o setor no município. Quando algo que desagradaria ao governo surge, eles interferem nas gravações ou tentam impedir que entrevistados falem.

O esquema inclui uma documentação farta e obtida pela reportagem. Em um grupo de mensagens do WhatsApp, intitulado “Guardiões do Crivella”, em referência ao prefeito do Rio, servidores discutem escalas, fazem ameaças e até comemoram quando o trabalho de um jornalista é prejudicado. Questionada sobre as agressões à imprensa, a Prefeitura do Rio não negou a existência da atividade.

As táticas de intimidação ao trabalho de jornalistas sempre foram recorrentes, vez ou outra em maior ou menor escala. Em governos anteriores, repórteres e editores do LIBERAL, por exemplo, já foram alvo de situações do tipo, que se concretizam especialmente quando a cobertura é desfavorável a algum grupo detentor de poder.

O que se passa no Rio é mais um exemplo de como tal prática, de interferir no trabalho da imprensa, se tornou institucionalizada e até bancada pelo poder público – haja vista o que se vê no governo federal. Muito além de servirem de mau exemplo, atos deste tipo merecem repúdio e punição pelos órgãos competentes. São intoleráveis.

O Liberal

Neste blog você encontra a opinião do Grupo Liberal de Comunicação, por meio dos textos editoriais publicados na edição impressa.