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Editorial

Governo ideológico

Por Da Redação

16 Maio 2020 às 14:01

A queda do segundo ministro da Saúde em meio a uma pandemia seria justificável caso o seu trabalho à frente da pasta em um momento que exige competência não fosse à altura do cargo. Uma mudança do tipo, na situação em que o País se encontra, exigiria uma justificativa bastante plausível por parte do governo federal. Entretanto, não foi o que ocorreu.

Nelson Teich assumiu o posto em 17 de abril, logo após o então ministro Luiz Henrique Mandetta pedir demissão. A saída de Teich, nesta sexta-feira, coincide em motivos com a de seu antecessor. Há entre eles e o presidente Jair Bolsonaro divergências quanto às medidas para conter o coronavírus.

O pedido de demissão de Teich se deu após um embate com Bolsonaro sobre ampliar ou não o uso da cloroquina, medicamento de eficácia não comprovada. O ministro foi contra, mas o presidente não concordou. O desgaste não era novo. No início da semana, Bolsonaro publicou decreto em que ampliava atividades essenciais sem consultar o Ministério da Saúde e provocou situação embaraçosa. O ministro soube da medida durante coletiva de imprensa, por meio dos jornalistas.

A saída do novo, agora velho, ministro mostra que Bolsonaro não está interessado em governar este País para os brasileiros, mas sim para o que pensa. Seu governo ideológico já lhe custou nove ministros desde que assumiu, dentre eles, um de seus pilares de sustentação, o ex-juiz Sergio Moro, que deixou o Ministério da Justiça para jogar o presidente em uma investigação policial que apura nada mais, nada menos, do que uma tentativa de interferência na PF (Polícia Federal) em causa própria.

Nesta crise sanitária, a gestão de Bolsonaro não consegue, nem de perto, promover uma estratégia sensata, que tenha apoio razoável e que não seja baseada em seu achismo. E o pior é ver que não há expectativa alguma de que o rumo deste governo mude.

O Liberal