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Estúdio 52

Por que começar a jogar Dota agora? DOTA – Dragon’s Blood pode explicar

Anime da Netflix abriu portas para que novos públicos se interessassem pelo tão aclamado jogo online

Por Maíra Torres

04 abr 2021 às 07:00 • Última atualização 03 abr 2021 às 14:44

A nova série da Netflix DOTA – Dragon’s Blood, inspirada no jogo Dota 2*, abriu portas para que novos públicos se interessassem pelo tão aclamado jogo online, que, de certa forma, estava como “uma terra difícil de entrar, habitada pelos jogadores mais habilidosos”.

Ciente disso, a Valve, empresa desenvolvedora do jogo Dota, adaptou mecanismos para receber de braços abertos aqueles que querem começar a jogar.

Mesmo se jogar não for a intenção, DOTA – Dragon’s Blood ainda é uma ótima produção que merece ser vista, até por quem não entende nada de games. Por esse motivo, falaremos do jogo e da série.

Interface que aparece para quem loga pela primeira vez. – Foto:

O Jogo

DOTA, que quer dizer Defence Of The Ancients, é um jogo de partidas em equipes com dez jogadores, divididos em dois times de cinco, onde cada um controla um herói diferente.

 O objetivo é atacar o Ancestral da equipe inimiga, escondido em uma torre, e defender o seu, para que ele não seja morto. Para isso, são usados mapas divididos em três níveis de trilha (em cima, ao meio e embaixo), com outras criaturas a serem derrotadas – algumas oferecem valiosos itens quando combatidas.

A mecânica do jogo envolve estratégias em equipe e lutas em tempo real. As possíveis variações de mapas, trilhas, planos, e, principalmente, personagens usados, já que existem, ao todo, 120 heróis disponíveis que executam mais de uma função, faz com que uma partida dificilmente seja igual a outra.

No tutorial, temos Luna, personagem ‘da série’ lutando contra inimigos vermelhos – Foto:

No Brasil, o jogo é gratuito e não indicado para menores de 12 anos por conter agressão física, consumo de drogas lícitas e insinuação sexual. Mas vale dizer que a interação entre os jogadores, que podem ter qualquer idade, e a quantidade de sangue mostrado pode elevar essa classificação, na prática. 

Simplificando grosseiramente, Dota é quase um rouba-bandeira jogado em diferentes andares, com ataque, magias e inimigos.

O problema, que fez com que a Valve precisasse adaptar as mecânicas para novos jogadores – usando a nova série da Netflix como “empurrãozinho” – foi a dificuldade que os novatos sentiam, por, além de sofrerem como qualquer iniciante em um jogo elaborado, também entrarem em batalhas com participantes com muito mais experiência, morrerem e, em casos extremos, acabarem sendo alvo de cyberbulling.

A comunidade é conhecida por ser extremamente competitiva, por levarem o jogo MUITO a sério, e, em algumas vezes, verbalmente agressiva e sexista. Mas, ao mesmo tempo, nem todos os jogadores trazem relatos como esse e até tem uma experiência oposta, de acabar fazendo amigos e “crescerem” junto com outros que os ajudam a adquirir experiência.

No jogo, Davion, da série, usa uma armadura e é mais conhecido como “Dragon Knight” – Foto:

Fora o caráter, parte dessa competitividade talvez venha do interesse em ganhar pontos subindo no ranking das partidas competitivas e praticar para participar de torneios internacionais com prêmios milionários para as equipes jogadoras.

Até agosto de 2020, por exemplo, já haviam sido arrecadados, por meio da venda de Passes de Batalha, R$155 milhões para premiar os vencedores. A competição, que ocorreria em Estocolmo, na Suécia, foi adiada por conta da pandemia de Covid-19.

Nova interface do jogo é didática e intuitiva. – Foto:

Agora, saindo da área dos “experts”, vamos listar aqui os mecanismos que foram implementados em Dota 2 para facilitar um primeiro contato com o jogo, o que pode representar um dos motivos para você começar a jogar:

Novo modo de jogador: Nesse modo, o jogador pode escolher um pequeno e estável grupo de heróis para jogar. Ele também pode sair da partida sem sofrer penalidades, enquanto que seu lugar é ocupado por um robô que o substitui para os outros jogadores presentes. Também é possível jogar com outros iniciantes contra robôs, para garantir um ambiente seguro e equilibrado.

Novos objetivos: Ao invés do tutorial “aprender”, agora o jogador pode concluir alguns objetivos e tarefas onde ele pode aprender as mecânicas e funções básicas, tornando a compreensão mais “imersiva”.

Guia da comunidade: Mais afrente dos novos objetivos, existe um guia feito pela comunidade onde Sunsfan e Slacks, personagens criados por jogadores experientes, ajudam o jogador a entender o jogo de forma mais amigável e menos técnica.

Assistente de jogo: O jogo detecta novos jogadores em terrenos mais experientes e oferece uma assistente de aparência amigável que o ajuda a compreender e executar tarefas como danos à torre, cruzar o rio, contadores de habilidade, proteção da porta dos fundos, etc.

Coaching: Um sistema de treinamento para jogadores novos e também experientes para que melhorem no Dota. Os coachers são jogadores de altos níveis e com boa pontuação por comportamento. Ao final, professor e aluno se avaliam por suas experiências.

Loja simplificada: Ao invés de exibir os infinitos itens, o jogador pode optar por ver a versão da loja simplificada, com apenas aquilo que ele pode comprar.

Glossário: Com a quantidade de coisas a se compreender, ainda foi feito um glossário que pode ser consultado a qualquer hora pelos novatos.

Novo site: O site do Dota 2 foi atualizado com todas as novas possiblidades e experiências e também está mais didático para jogadores que querem começar.

Com essa lista, dá pra dizer que, para quem sempre quis jogar ou entender como funciona o universo, esse é, mais do que nunca, o momento pra entrar de cabeça no jogo. Para ampliar a experiência, ou inicia-la, dá pra mergulhar pela série DOTA -Dragon’s Blood, que está incrível.

A série

Uma realidade mágica cheia de personagens interessantes e ambíguos, inseridos num roteiro que se explica e se completa com o passar dos episódios. É assim que é DOTA – Dragon’s Blood.

Na primeira temporada, chamada de Livro 1, vemos Davion, um Cavaleiro Dragão, que passa a vida exterminando essas criaturas, entrar em uma batalha contra o dragão ancião Slyrak. Desde então, sua vida muda para sempre.

Em outro núcleo, temos também Mirana, a Princesa da Lua, tentando recuperar as flores de Lótus roubadas de Noiteprata por Fymryn, uma elfa que deseja trazer sua Deusa de volta, Mene.

Todos esses personagens se cruzam em determinado momento e se veem envolvidos em uma guerra maior.

O destino de Mirana e Davion se cruza em certo ponto da série – Foto:

Para não criar expectativas erradas, é preciso dizer que todos esses personagens estão, sim, em Dota. Mas a história contada, apesar de parecer extensa na série, representa uma mínima parcela do que acontece na história do jogo.

É justamente esse motivo que também serve de argumento para entender como o universo Dota surgiu e alguns contextos dos principais clãs. A animação, que tem somente oito episódios de 25 minutos, é uma excelente recomendação mesmo para quem não pretende começar a jogar. Tem boas batalhas, vários plot twists, personagens misteriosos, dragões, sangue, e até uma pitada de romance. Em termos técnicos, a parte visual é muito bem feita, e algumas cenas até flertam com o estilo e closes do jogo, que brincam com a estética de games.

Em contrapartida, nunca senti vontade de jogar Dota, até assistir a nova série da Netflix. Criei uma conta e joguei já com essas mudanças “facilitadoras”. Como iniciante, os passos adicionados pareceram óbvios em termos de necessidade, do tipo que me fez perguntar como seria a primeira impressão do jogo antes dessas mudanças. Não vou saber opinar, mas se fosse para fazê-lo, apostaria em duas coisas: confuso e desestimulante.

*Dota 1, Dota 2, ou Dota? – “Dota 1”, na verdade, era uma modificação do jogo World of Warcraft, da empresa Blizzard. Estilizaram alguns personagens, fizeram modificações e aproveitaram a mecânica de WoW para criar a primeira versão do Dota. Após acordos judiciais, a Valve, empresa que criou o Dota 2, retirou os principais elementos de Wow dessa segunda versão e evoluiu o universo do jogo. Portanto, hoje, informalmente, falar em Dota é o mesmo que falar em Dota 2.

Maíra Torres

Repórter do Liberal, produtora do Gold Morning e apresentadora do Resumo Gold na FM Gold. Entusiasta de animações desde que aprendeu a abrir os olhos e otaku recém-nascida. A doida que assiste três filmes seguidos no cinema.

Estúdio 52

Quer saber sobre aquela série que está bombando na internet? Sim, temos. Ou aquele jogo que a loja do seu console vai disponibilizar de graça? Ok. Curte o trivial e precisa dos lançamentos do cinema? Sem problema, é só chegar.