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Histórias de Americana

Epidemias e pandemias em Americana

Os jornais campineiros registraram um cenário devastador decorrente da febre amarela entre 1890-1899 e da gripe espanhola em 1918

Por Mariana Spaulucci Feltrin

14 jun 2020 às 08:01 • Última atualização 13 jun 2020 às 17:43

Impulsionados pela tensão do presente, como a atual crise gerada pela Covid-19, voltamos nossos olhares a lugares esquecidos do passado. O movimento de “olhar pelo retrovisor” expõe a necessidade latente de busca pelo conhecimento supostamente acumulado por experiências históricas.

Nessa perspectiva, vários pesquisadores resgataram – além dos mais recentes como H1N1, Mers e Sars – antigos surtos biológicos mundiais que
envolveram o Brasil.

Historiadores mais críticos apontaram que a primeira pandemia que se tem notícia no País ocorreu com a invasão europeia nos territórios americanos, sendo o surto de varíola e outras doenças considerado um dos fatores determinantes para o extermínio da população indígena. Avançando no tempo, verificamos outras ocorrências que, apesar do menor números de vítimas, marcaram a história do Brasil e, portanto, da antiga comarca de Campinas, a qual pertencia Americana.

Os jornais campineiros registraram um cenário devastador decorrente da febre amarela entre 1890-1899 e da gripe espanhola em 1918. Como mostraram os estudos da professora Dr. Liane M. Bertucci-Martins (ANPUH, 2005), a experiência epidêmica da febre pode ser apontada como instrumento de educação das medidas preventivas públicas e privadas contra a gripe.

Entre as ações destacaram-se: o fechamento de escolas, comércios e lugares de diversão, a intensificação da limpeza pública, a instalação de postos de socorro e hospitais de isolamento, a abertura de valas no cemitério e, por fim, a distribuição de alimentos e refeições. Em relatório, a Prefeitura de Campinas comprovou que, comparadas à febre amarela,
as precauções contra a gripe espanhola evitaram seu alargamento.

Contudo, os registros da gripe são assustadoramente similares ao que vivemos hoje: se por um lado haviam tais providências preventivas, por outro, boatos de que a gripe não tinha gravidade, pessoas desrespeitando o isolamento decretado pelo governo municipal e ofertas de medicamentos não comprovados aparecem nos jornais.

Fica evidente, assim, que se realmente quisermos aprender com o passado devemos desembaçar o retrovisor e observar as ações políticas que garantiram pela experiência a assistência econômica e, sobretudo, o contingenciamento das doenças na história.

Mariana Spaulucci Feltrin é membro do grupo Historiadores Independentes de Carioba, dedicado à pesquisa histórica sobre Americana

Historiadores de Carioba

Blog abastecido pelo grupo Historiadores Independentes de Carioba, que se dedica à pesquisa histórica sobre Americana.