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Economia no dia a dia

E se o governo vender dólar?

Por Marcos Dias

12 Maio 2020 às 08:23

Na coluna da semana passada foi abordada a possibilidade do aumento da emissão de dinheiro, pelo governo federal, com o objetivo de reduzir os efeitos econômicos da crise que enfrentaremos. Uma outra alternativa apontada pelos economistas seria usar as reservas internacionais para bancar o aumento dos gastos. Mas como fazer isso?

Reservas internacionais ou cambiais são os ativos financeiros, como títulos das dívidas dos governos ou das empresas estrangeiras, ou dinheiro estrangeiro (dólar ou euro, por exemplo) de que dispõe o governo de um determinado país. Uma parte desse dinheiro estrangeiro é utilizada para pagamento de importações de produtos.

O governo brasileiro, assim como muitos outros países, possui um montante desses recursos guardados nos cofres do Banco Central, e que atualmente somam mais de US$ 340 bilhões. Alguns economistas alegam que esse valor acumulado, que cresceu muito entre os anos de 2005 e 2010, é elevado para as necessidades do País, e que se desfazer dessa “poupança internacional” para estimular a atividade econômica seria uma saída viável. Algo em torno de US$ 70 bilhões a US$ 100 bilhões seriam suficientes.

Para isso, o Banco Central brasileiro deveria vender os títulos estrangeiros no mercado internacional, arrecadar dólares e vende-los no mercado interno, transformando-os em reais. Em seguida esse dinheiro seria investido na economia, por meio de empréstimos mais baratos aos bancos ou investimentos em obras e serviços dentro do país, gerando mais emprego, renda, consumo, e assim por diante.

Dessa forma a atividade econômica poderia ser retomada sem aumentar o endividamento do governo e nem colocar mais dinheiro no mercado por meio do aumento da impressão, o que poderia gerar inflação. Portanto, essa seria a saída mais viável e menos custosa.

Alguns economistas advertem que reduzir as reservas cambiais de forma indiscriminada seria prejudicial ao País, pois nos deixaria em uma situação vulnerável numa eventual crise externa futura. Isso poderia reduzir ainda mais as reservas internacionais do governo brasileiro e leva-lo a tomar empréstimos internacionais, como fez a Argentina no passado recente.

Marcos Dias