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Economia no dia a dia

E se imprimir dinheiro?

Por Marcos Dias

05 de maio de 2020, às 11h18

Um dos resultados da atual crise sanitária pela qual estamos passando será, certamente, uma grave crise econômica. Para atenuar essa situação será necessária a atuação do governo federal com o objetivo de estimular a atividade econômica, com a adoção de medidas pontuais. O problema é que essas medidas precisam de dinheiro, coisa que o governo não tem!  Uma das propostas para financiar tais medidas é o governo fazer dinheiro. Mas como isso é feito?

Uma das formas é o Banco Central brasileiro criar um montante de dinheiro (físico ou eletrônico), e com esses recursos comprar títulos públicos do governo federal, “emprestando” o dinheiro a ele. De posse desses recursos, o governo irá utilizá-lo para investir na atividade econômica, reaquecendo assim a economia.

Alguns economistas apontam que isso é vantajoso, pois essa estratégia não causa aumento da dívida do governo junto ao mercado (que é quem, geralmente compra os títulos do governo), mas somente junto ao Banco Central, que também faz parte do governo, o que facilita os acertos financeiros no futuro. Mas colocar mais dinheiro na economia não gera inflação? Sim, isso sempre ocorre quando a procura (demanda) pelos produtos está aquecida. Mas na situação atual, em que o consumo está parado (demanda retraída), não ocorrerá pressão sobre a inflação, que permanecerá baixa, alegam esses economistas.

Porém outros economistas apontam que essa não é a melhor saída, pois mesmo que o governo pegasse dinheiro emprestado do Banco Central, ainda assim estaria aumentando sua dívida, e a essa dívida é um dos grandes problemas atuais e futuros do governo federal.

Eles consideram que a dívida do governo, que hoje é de 76,5% do PIB, poderia chegar a quase 90%, e se o governo aumenta sua dívida, terá que pagar em algum momento. Como a atividade econômica não cresce, ele terá que elevar os impostos, que já são altos. Além disso, alertam que a produção (oferta) pode não acompanhar esse aumento de consumo incentivado pelo governo. Isso poderia elevar de forma rápida a inflação, penalizando os mais pobres. Eles apontam que a saída mais viável seria utilizar as reservas cambiais, mas esse é um tema para a próxima coluna!

Marcos Dias

Conteúdo desenvolvido pelo economista e professor de economia da Fatec (Faculdade de Tecnologia) de Americana, Marcos Dias.