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Editorial

Diálogo zero

Por Da Redação

13 Maio 2020 às 08:11

A iniciativa de Bolsonaro de incluir academias e salões de beleza como atividades essenciais em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no País despertou reações óbvias em quem enxerga esta crise com a seriedade que exige. Governadores de mais da metade dos estados já se disseram contrários à flexibilização destes tipos de atividades, não recomendada por autoridades de saúde dado o alto risco de contágio.

A jogada do presidente nada mais é do que fazer agrados à parcela da população que o apoia e que, tal como ele, acredita que a Covid-19 nada mais é do que uma “gripezinha”, superada com alguns cuidados básicos de higiene e o isolamento de idosos e pertencentes a grupo de risco.

Para declará-las atividades essenciais, por exemplo, Bolsonaro sequer pediu a opinião do ministro da Saúde, Nelson Teich. O decreto, de fato, não é da incumbência da Saúde, mas diante de uma crise de saúde pública, ignorar um parecer técnico da pasta – possivelmente contrário, é simplesmente evidência de que o presidente não está disposto a acreditar na ciência e na medicina.

Nesta quarta-feira, o governador João Doria (PSDB) deve anunciar como São Paulo deve se comportar perante à medida de Bolsonaro. Em Americana, o prefeito Omar Najar se demonstra favorável à flexibilização, mas, assim com outros governos, vai esperar o que o Estado decidirá.

Ainda que prefeitos tentem reabrir as atividades, há uma grande possibilidade de a flexibilização ir parar na Justiça. O STF já decidiu que estados e municípios têm competência para definir ações que envolvam a saúde pública.

Diante de 12 mil mortos, 172 mil infectados e a lotação de leitos hospitalares, o presidente da República, que já se mostrou incapaz de liderar qualquer ato racional contra a Covid-19, continua a fazer o que mais gosta: criar polêmicas. Novamente, resta aos que prezam pelo futuro deste País ignorá-lo.

O Liberal