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Editorial

Desfecho habitacional

Por Da Redação

03 jun 2020 às 09:21

No dia 3 de julho de 2012, uma terça-feira, o LIBERAL trazia a primeira notícia do que seria um dos maiores desafios habitacionais dos tempos recentes no Estado. Uma área particular no Parque Residencial Manoel de Vasconcelos, em Sumaré, havia sido ocupada por cerca de 200 famílias no final de semana anterior.

O terreno, de cerca de 1 milhão de m², era de propriedade da massa falida da empresa Soma, de equipamentos industriais. Por conta do nome da proprietária do terreno, a ocupação passou a ser conhecida como Vila Soma. A situação foi tema de uma série de discussões judiciais. Em Sumaré, decisões do fórum local determinaram reintegrações de posses que nunca foram cumpridas, dada a dimensão que a ocupação tomou.

O poder público, porém, não conseguiu retirar os moradores do local. Enquanto o assunto era debatido à exaustão em esferas diferentes de poderes, a ocupação que surgiu em uma área às margens do Ribeirão Quilombo se organizou e se desenvolveu com todas as características de um núcleo habitacional, ainda sob uma muito precária e improvisada infraestrutura.

Quase oito anos depois e com cerca de 10 mil pessoas vivendo na área, a discussão judicial sobre a Vila Soma praticamente encontrou o seu desfecho, com a decisão de extinção do processo que tramitava no STF. A disputa pelo terreno foi negociada, com as famílias aceitando pagar parcelas pequenas para a dona da área, o que também foi acordado com credores da massa falida. Resta agora a urbanização do local, um procedimento sob a responsabilidade da prefeitura.

De todos os desafios, a pacificação sobre a propriedade talvez tenha sido apenas o primeiro. Tornar a Vila Soma um local digno de se viver, com infraestrutura adequada, será, sem dúvida, o maior deles. Que os gestores públicos saibam lidar com as vidas que estão por lá.

O Liberal

Neste blog você encontra a opinião do Grupo Liberal de Comunicação, por meio dos textos editoriais publicados na edição impressa.