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Editorial

Crise dentro da crise

Por Grupo Liberal

24 abr 2020 às 11:50 • Última atualização 27 abr 2020 às 11:50

A queda de braço entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro é mais uma crise dentro da crise do governo atual. Caiu como uma bomba a informação, na tarde desta quinta-feira, de que o ex-juiz, alçado à fama durante a Operação Lava Jato, havia pedido para sair porque o chefe da República tentava dar as ordens ao comando da Polícia Federal.

Símbolo do discurso anticorrupção de Bolsonaro, que o ajudou a elegê-lo, inclusive, Moro chegou a Brasília com status de superministro. Na queda de braço entre ambos, porém, não se vê benefício algum à principal autoridade deste País.

Se para manter o ex-juiz a seu lado, Bolsonaro tiver de ceder à pressão do ministro, sairá da disputa ainda mais enfraquecido, um presidente submisso a um aliado que, não seria surpresa, poderia ser seu concorrente em 2022. Se, por outro lado, quiser mostrar que sua caneta tem poder e partir para o embate contra Moro, a troca do comando da PF lhe custaria um dos pilares de seu governo. Pilares estes que parecem estremecidos.

Na semana passada, a demissão do ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, em meio ao trabalho na pandemia do novo coronavírus, já havia custado a Bolsonaro uma enxurrada de críticas, que permanecem dada à posição quase despreocupada do presidente quanto à ameaça global que já matou mais de 3 mil no País.

Nesta semana, outro pilar de sustentação de seu governo, o ministro da Economia Paulo Guedes ficou de fora do anúncio de um pacote econômico feito pela ala militar do Planalto para a retomada de empregos no País num cenário pós-Covid-19. O teor do plano, chancelado por Bolsonaro, vai contra o liberalismo pregado por Guedes na economia.

Não bastasse o abalo nas estruturas de sustentação do governo Bolsonaro, o presidente agora se aproxima do chamado “centrão”, bloco político no Congresso que reúne alguns nomes bastantes conhecidos do noticiário sobre a corrupção por aqui. Tão difícil quanto contornar as crises, fica ao brasileiro entender ou encontrar respostas aos rumos deste governo.

O Liberal