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Editorial

Cifras e vidas

Por Grupo Liberal

14 abr 2020 às 11:42 • Última atualização 27 abr 2020 às 11:43

Neste domingo, o LIBERAL trouxe reportagem em que um dos membros do Comitê de Contingência criado pelo Estado faz alerta para o risco da contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19) em Americana e região. Em entrevista, o professor e médico Carlos Magno Fortaleza, da Unesp, explicou o que leva a localidade estar em um ponto do Estado considerado “problemático ao extremo”.

Segundo ele, o fato de a região ser cortada por eixos rodoviários importantes, como a movimentada Rodovia Anhanguera (SP-330) é um dos motivos. A via facilita o vaivém de pessoas para centros importantes, como Campinas e São Paulo, onde o coronavírus acumula confirmações em números maiores. A conurbação também é fator que incentiva essa circulação de pessoas entre territórios diferentes.

Para conter a expansão das contaminações, o isolamento é medida recomendada pelas principais autoridades de saúde no mundo. Dados do monitoramento do Estado, porém, mostram que mesmo no fim de semana de Páscoa, cidades como Americana e Sumaré ficaram longe de alcançar 70% da população com circulação reduzida, percentual considerado ideal pelo Comitê de Contingência para frear a doença.

Ainda, no mesmo dia em que Americana confirmou seu sétimo caso positivo e sua terceira morte pela doença, uma nova carreata foi às principais ruas e avenidas da cidade pedir a reabertura do comércio. O ato teve tons políticos. Sua convocação, propagada pelas redes sociais no fim de semana, trazia como motivo da manifestação um movimento “fora Doria”. Estimulada e usada por claques bolsonaristas, a cobrança, apesar de legítima, foge da realidade e ignora a atuação do Estado de São Paulo frente à Covid-19, no mínimo mais organizada do que a do governo federal.

Parte da população ignora também que as mortes e infecções crescem e que experiências em outros países mostram um cenário caótico quando o isolamento é tardio. Não podemos pagar para ver o custo de ir contra as recomendações das autoridades de saúde, sob o risco de contarmos o prejuízo não apenas em cifras, mas em vidas. Fique em casa.

O Liberal