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Pelas Páginas da Literatura

Caso Mariana Ferrer: lições de livros feministas para levar às urnas e à vida

Confira a indicação de quatro livros que ajudam a refletir sobre o que é ser mulher

Por Marina Zanaki

05 nov 2020 às 10:57

As redes sociais foram tomadas por indignação nos últimos dias após a divulgação, pelo site Intercept Brasil, das imagens do julgamento do empresário André de Camargo Aranha, acusado de ter estuprado a blogueira Mariana Ferrer.

O vídeo da audiência mostra que, apesar de ser a vítima, Mariana é tratada como a culpada de um crime e é atacada pela defesa do empresário – tudo isso sem qualquer interferência do juiz.

Ao final da sessão de humilhação da vítima, André foi absolvido do crime de estupro de vulnerável, pois o Judiciário entendeu que a palavra da vítima não seria suficiente para condená-lo.

Se o dinheiro foi o que comprou essa defesa vergonhosa do empresário, foi o machismo que forneceu os fundamentos ideológicos para que o réu fosse absolvido.

Mais do que nunca, é preciso ser feminista e entender o movimento como algo político. Mudar a mentalidade que permite que esse tipo de crime seja cometido e absolvido pelo Judiciário leva tempo e muita luta. Mas um bom primeiro passo é levar isso para a esfera das eleições municipais, que ocorrem no dia 15 de novembro.

Pensando nisso, trouxe uma lista de “lições” de livros feministas pra ajudar a refletir na escolha dos próximos prefeitos e vereadores. Reconheço que tirar uma única reflexão de cada obra citada é reducionista, então fica também a indicação da leitura desses livros!

Calibã e a Bruxa, de Silvia Federici: o livro resgata a caça às bruxas promovida no início da formação do capitalismo. A violência de gênero, baseada em uma relação de poder de um homem sobre uma mulher, infelizmente não é um fato isolado e esquecido na história. Feminicídios, estupros e atos de violência física e psicológica seguem perseguindo mulheres.

Uma das formas de lutar contra essas violências é oferecer condições de denúncia às vítimas, suporte para que elas possam se reestruturar e punição para os responsáveis. Tudo isso pode ser ampliado e fortalecido por meio de propostas políticas.

A Mística Feminina, de Betty Friedan: esse clássico da literatura feminista mostra que a exclusão das mulheres do mercado de trabalho de maneira compulsória é um reflexo de uma mentalidade patriarcal. Escolher tornar-se dona de casa e cuidar dos filhos não é o problema, mas impor essa situação às mulheres sim!

É essencial oferecer suporte às mulheres para voltar ao mercado de trabalho após a maternidade. Nesse sentido, existem inúmeras políticas públicas que podem ser propostas, mas uma das mais importantes é garantir vagas em creches.

O Mito da Beleza, de Naomi Wolf: a pressão para se encaixar nos padrões de beleza aprisionam as mulheres, contribuindo para o desenvolvimento de problemas de autoestima, transtornos psicológicos e alimentares.

O mito da beleza mencionado pelo livro é a crença no inconsciente coletivo que associa capacidade e profissionalismo à aparência de uma mulher. Sempre que você olha para uma candidata a um cargo público e analisa sua beleza/cabelo/roupas, o mito da beleza está vencendo. Mesmo que você não use isso como um fator para o voto, está em algum nível validando esse critério para classificar uma mulher.

Sejamos todos feministas, de Chimamanda Ngozi Adichienos: o livro foi baseado em uma palestra da autora e lembra que também é papel dos homens lutar por um mundo mais igualitário.

A representatividade feminina na política é muito importante e é necessário ampliar o número de mulheres eleitas. Contudo, pautas pelos direitos das mulheres não são responsabilidade apenas das candidatas. Trago esse livro porque ele permite refletir que é preciso cobrar também os homens – e da mesma forma, os candidatos do sexo masculino – sobre um posicionamento em relação à discriminação de gênero.

Marina Zanaki

Repórter do LIBERAL, a jornalista Marina Zanaki é aficionada pela literatura e discutirá, neste blog, temas relacionados ao universo literário.