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Cotidiano & Existência

Bom senso e empatia à beira da extinção

Por Gisela Breno

15 de março de 2022, às 15h05

Estava há pouco na fila pra pegar água das torneiras que ficam do lado de fora da Igreja Dom Bosco. Além de ser potável, essa água me remete às décadas da minha trajetória não somente como educadora, mas essencialmente como ser humano.

Entrando em meu corpo, esse líquido precioso não apenas o irriga, mas arrefece minha mente, que anda meio desanimada com os rumos que as pessoas estão dando ao mundo.

Esperando a vez para encher meu galãozinho, debaixo de um sol escaldante já às 9h30 de uma terça-feira que promete apresentar temperaturas ainda mais elevadas, percebi depois de um tempinho olhando Dom Bosco lá no alto da torre, que a fila não andava.

As torneiras estavam sendo utilizadas, coincidentemente, por pessoas que tinham mais de 15 galões, muitos deles com capacidade para 20 litros e, mesmo com o número de criaturas aumentado, continuavam calmante cumprindo a missão de levar água, segundo nossas observações, suficiente para mais de um mês de consumo.

Essa atitude, tomada por apenas três pessoas, pode parecer pouco e insignificante diante das gigantes dificuldades de todos os tipos pelas quais passam diuturnamente milhões de pessoas; mas somadas a tantas outras, podem ser inclusive fatais, principalmente para as que estão vulneráveis.

Digo isso ainda profundamente sensibilizada pelas mortes noticiadas nesses dias, principalmente as provocadas pelas línguas afiadas e desprovidas de compaixão, que instilam venenos poderosos cujo efeito colateral mais forte é a perda do sentido de viver.

Ah que tempos difíceis!

Gisela Breno

Professora, Gisela Breno é graduada em Biologia na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e fez mestrado em Educação no Unisal (Centro Universitário Salesiano de São Paulo). A professora lecionou por pelo menos 30 anos.