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Editorial

Ataque e recaída

Por Redação

25 ago 2020 às 07:45

Em pouco mais de um ano e oito meses de governo, a gestão de Jair Bolsonaro tem entre suas marcas os ataques pessoais feitos a jornalistas. Do presidente, membros da imprensa já ouviram todo tipo de desaforo quando a questão feita ou a reportagem publicada não agradavam o capitão eleito em 2018. Aliados e familiares do presidente, como seus filhos, também seguem o mesmo comportamento, de insultos e acusações disparados, principalmente, nas redes sociais.

Bolsonaro vinha de semanas de um comportamento mais recatado e ameno em relação ao que sempre exibe, de transformar suas respostas (ou a falta delas) em polêmicas que apenas reforçam seu perfil de quem não entendeu ainda a responsabilidade do cargo que ocupa.

O caso Queiroz, entretanto, lhe tirou do sério neste domingo, o colocou em uma espécie de recaída e deu mais uma mostra de seu hábito de ofensas. Questionado por um repórter do jornal O Globo sobre os depósitos de cheques feitos pelo ex-assessor e ex-policial militar na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro, o presidente disse que a vontade dele era de encher a boca do jornalista de porrada. A ofensa gratuita só reforça o total desprezo de Bolsonaro pela imprensa profissional, que tem em sua pauta buscar respostas dos governantes a situações que possam caracterizar um desvio de conduta do representante do povo. É o mesmo trabalho que, quando questiona os adversários, é celebrado e compartilhado.

O caso Queiroz e a falta de explicações do presidente para um emaranhado de suspeitas que envolvem aliados e sua família de políticos não justificam argumentos como o de que a imprensa persegue o presidente. Sem conseguir apresentar uma resposta à altura para a história, Bolsonaro apela para impropérios que definem sua imagem de intolerante e falastrão. Constrange a si mesmo, ao Brasil e a seus eleitores.

O Liberal

Neste blog você encontra a opinião do Grupo Liberal de Comunicação, por meio dos textos editoriais publicados na edição impressa.