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Histórias de Americana

Além das igrejas

Por Jefferson Luis Rodrigues Bocardi

07 out 2019 às 09:27 • Última atualização 28 abr 2020 às 09:28

Americana tem como tradição religiosa o cristianismo, fortemente marcado pela doutrina católica. Contudo, o primeiro templo religioso construído em Villa Americana foi a Igreja Presbiteriana, no ano de 1894.

Essa tradição cristã é posta como fruto de imigrações com traços religiosos muito marcantes: o protestantismo trazido pelos confederados e o catolicismo pelos imigrantes italianos.

Sabidamente, porém, a região em que compreendemos atualmente Americana foi habitada desde o final do século XVIII. Portanto, havia uma grande população de escravizados vivendo nas fazendas de cana-de-açúcar e, posteriormente, nas fazendas de café.

Ainda assim, não temos nenhum resquício das religiões de matriz africana na história ou nos livros que nos falam sobre esse possível passado americanense.

No ano de 1976, mais precisamente em 28 de agosto, foi organizado, na Praia dos Namorados, uma festa intitulada “Noite dos Orixás”, organizada pela Tenda de Umbanda Ogum Megê.

A festa tinha como objetivo promover os cultos umbandistas, com cânticos, rituais e explicações sobre a religião.

O evento reuniu diversos terreiros de umbanda na cidade de Americana. Na época, uma matéria publicada no LIBERAL fez referência ao sucesso do evento e à superação das expectativas dos organizadores.

Apesar de não ser referida em nenhum momento nos livros de história da cidade, a umbanda resistiu ao preconceito e ao tempo e, hoje, a cidade possui várias casas e tendas umbandistas que guardam essa tradição religiosa genuinamente brasileira.

Na dissertação de mestrado “Terreiro do São Domingos: memória, permanência e inovação”, Adilson Rogério do Amaral fala sobre um dos primeiros terreiros da cidade, homônimo ao título de sua pesquisa, fundado na década de 1940 e ainda em plena atividade.

A Tenda de Umbanda Caboclo Roxo e Pai Xangô também é um exemplo entre os terreiros mais tradicionais de Americana, dirigido pelo mesmo pai de santo desde a fundação, na década de 1970.

Portanto, a umbanda sempre esteve presente na história americanense, porém, quase nunca reconhecida nos livros que tratam da história da cidade.

*Jefferson Luis Rodrigues Bocardi é membro do grupo Historiadores Independentes de Carioba, dedicado à pesquisa histórica sobre Americana

Historiadores de Carioba

Blog abastecido pelo grupo Historiadores Independentes de Carioba, que se dedica à pesquisa histórica sobre Americana.