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Adversário político não é inimigo

Por Dirceu Cardoso Gonçalves

09 out 2020 às 07:53

Apesar de toda a troca de farpas durante a campanha, o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, disse quando soube que Donald Trump e a mulher testaram positivo para a Covid-19, que iria enviar suas orações pela rápida recuperação do casal. Sincera ou não, a afirmação é um exemplo de comportamento a todos os que se dizem democráticos. Especialmente para alguns políticos, artistas, intelectuais e ativistas brasileiros que, quando da facada e da Covid de Jair Bolsonaro, torceram pela sua morte. Não é à toa que os EUA são tidos como os guardiões da democracia no mundo.

As classes política, artística e assemelhada que, por modismo ou interesse, se manifestam ideologicamente, deveriam mostrar-se pelo menos civilizada e evitar a pregação da morte de quem quer que seja, principalmente dos adversários. Quando o faz, perde seus adeptos e ainda corre o risco de favorecer a popularidade do oponente, fato que se deu com Bolsonaro, hoje em alta nas avaliações. Nos Estados Unidos, pode ser até coincidência, Biden ganhou pontos na pesquisa depois de declarar-se solidário a Trump e sua mulher no problema de saúde.

Os políticos e seus simpatizantes têm de compreender que guerrear não é sua função. Pelo contrário, a militância política sugere oportunizar ao povo escolher via eleições os concorrentes que melhores propostas ofereçam para solucionar os problemas da comunidade. O concorrente ou adversário não deve ser encarado como inimigo.

A democracia construída no Brasil desde o fim do regime de 1964 carece de muitos aperfeiçoamentos para se tornar autêntica. Que os políticos tupiniquins se comprometam com o desenvolvimento do País, prestem atenção no gesto de Biden e se envergonhem do que têm feito por aqui…

Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da Associação dos Policiais Militares do Estado de SP

Colaboração

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