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Economia no dia a dia

A Selic no dia a dia

Como a redução da taxa básica da economia pode influenciar o dia a dia das pessoas?

Por Marcos Dias

10 jul 2020 às 08:00 • Última atualização 10 jul 2020 às 08:43

Uma das siglas que tem se tornado mais comuns nos últimos anos, para quem acompanha ou se interessa pelo noticiário econômico, é a taxa Selic, ou popularmente chamada de “taxa básica do mercado”.

A sigla “Selic” significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia, e é fixada pelo governo federal, por meio de um grupo ligado ao Ministério da Economia chamado de “Comitê de Política Monetária”, ou Copom. Este grupo, que é composto por membros de governo federal, se reúne periodicamente a cada 45 dias para determinar, baseado em estudos internos, qual a nova taxa Selic para o mercado (ou a manutenção da alíquota vigente).

Na sua última reunião, realizada no dia 17 de junho último, a taxa foi reduzida de 3% para 2,25% ao ano. Essa é a menor taxa desde quando a Selic foi criada, em 1986. Em março de 1999, por exemplo, essa taxa chegou ao seu maior percentual, que foi de 45% ao ano!

A Selic é a taxa utilizada pelo governo federal para liquidar (quitar) os títulos públicos (papéis do governo federal adquirido pelas pessoas ou empresas como investimento). Isso significa que se uma pessoa investir 100 reais hoje em títulos do governo, poderá resgatá-los em um ano, e receberá seu valor (100 reais) mais os 2,25%, num total de 102 reais e 25 centavos (desconsiderando o desconto do Imposto de Renda).

Por outro lado os bancos, ao tomarem dinheiro emprestado de outros bancos, se comprometem a pagar o percentual da Selic, e dão títulos do governo adquiridos no mercado como custódia (para serem guardados como garantia).

Assim, a Selic serve de referência tanto para quem investe no mercado financeiro (pessoas e empresas), quanto para quem pega dinheiro emprestado e repassa aos seus clientes (bancos e financeiras).

E como esta redução da taxa pode influenciar o dia a dia das pessoas? Se a Selic diminui as pessoas serão estimuladas a gastarem uma parte do seu dinheiro e a deixarem de investir esta parte em títulos públicos. Por outro lado, se os bancos estão pagando mais barato para pegar dinheiro emprestado de outros bancos, eles irão reduzir os juros cobrados por empréstimos aos clientes, principalmente no cheque especial e no cartão de crédito.

Estas duas situações resultarão no estímulo à tomada de empréstimo para consumo, o que pode resultar no aumento da produção e do emprego. Por isso, a redução da Selic é, atualmente, o principal mecanismo utilizado pelo governo federal para aumentar o consumo: reduzir os juros para que as pessoas comprem mais, e com isso poder gerar mais produção e mais emprego.

Nesta circunstância, as pessoas são estimuladas a pegar dinheiro emprestado para comprar, e principalmente compras parceladas “a perder de vista”, pois passam a considerar o juro baixo como um estímulo ao consumo. Porém, isso pode aumentar o endividamento das pessoas, o que deve ser evitado ao máximo, principalmente numa situação de instabilidade e incertezas na qual estamos vivendo.

Marcos Dias

Conteúdo desenvolvido pelo economista e professor de economia da Fatec (Faculdade de Tecnologia) de Americana, Marcos Dias.