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Saúde em Pauta

A receita: sobre células e DNA

Temos menos genes do que uma pulga d'água, mas entender qual é a receita do nosso corpo é uma façanha essencial

Por Paulo Renato Monteiro da Silva

14 de janeiro de 2024, às 19h35

DNA, esse replicador incansável, presente em todos os seres vivos e conhecido desde a época da guerra do Paraguai. Porém, foi somente após cerca de 80 anos que sua arquitetura foi revelada. Isto, em 1953, tendo tal façanha impactado o mundo inteiro e dando aos seus descobridores o direito ao prêmio Nobel de Medicina.

E mais outros 50 anos se passaram até o que o tal mapeamento genético fosse construído, demonstrando que temos cerca de 23 mil genes, menos que uma pulga (no caso, a pulga d’água, que tem 31 mil genes), surpresa essa que nos deixou perplexos. Como poderia o homem, tão superior, e uma simples pulga d’água ter mais genes do que nós. Como se explica isso? Resposta: “bora estudar e entender melhor”.

Podemos comparar os genes com os livros de uma biblioteca, sendo que cada qual deles composto por milhares de letras, as quais, uma vez agrupadas, têm significados diferentes. O alfabeto do DNA utiliza apenas cinco letrinhas, as mesmas para quaisquer espécies do mundo e podendo ser representadas A, T, C, G, U.

De acordo com a sequência que essas letrinhas estão posicionadas teremos tipos diferentes de proteínas produzidas, e, naquela receita – que tem 23 mil livros, está impressa toda a informação e orientação de como nosso corpo será montado, sendo que ao término desse processo de construção corporal teremos uma super, hiper multidão, composta de 23 trilhões de células, estando elas distribuídas em centenas de funções diferentes.

Cabe salientar que todas essas células carregam dentro de si a mesma receita (com os 23 mil livros), porém, cada uma tem obrigações diferentes, ou seja, somente leem uma parte dessa receita. Assim, elas se tornam especializadas, superespecializadas. Exemplificando: as células da traqueia têm um trabalho muito diferente das células do cérebro, fígado, baço, olho etc.

Embora todas as células carreguem a mesma receita, cada uma sabe em que parte deverá entrar em ação e atuar de forma a compor a sinfonia da vida. Existe exceção à quantidade de livros presentes na biblioteca celular. Se olharmos nossas células sexuais (óvulo e espermatozoide), veremos que elas têm metade dos genes (meia biblioteca), somente se completando quando os dois se unirem, quando será formada a célula-ovo, dando continuidade ao milagre da vida.

Paulo Renato Monteiro da Silva

O médico Paulo Renato Monteiro da Silva, especialista em alergologia e imunologia, fala sobre temas da saúde em alta e sobre como manter hábitos saudáveis