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A letra azul-escarlate

Como vender perfis verificados acabou com a credibilidade do Twitter?

Por João Brunelli

21 de maio de 2023, às 10h16

Pode não parecer, mas o Twitter é importante. Ou, pelo menos, era. Durante boa parte de sua existência, foi o canal de comunicação preferido de governantes, políticos, artistas, atletas, jornalistas, cientistas e celebridades de todos os calibres. Isso fez com que, mais vezes do que a gente imagina, pautasse os assuntos do dia não só na internet como também nos jornais, na TV e até na política de alguns países.

Um dos grandes méritos para o site ter tanta credibilidade eram os perfis verificados. Introduzidos em 2009, este era um sistema que garantia, com um selo azul no perfil, que a celebridade que estava postando era, de fato, quem dizia ser. Este era um privilégio gratuito e que valorizava a rede (que, afinal, poderia mostrar a seus usuários e anunciantes como seu público era seleto).

Mas isso ficou no passado. Uma das primeiras mudanças que Elon Musk fez ao assumir o comando do site foi o Twitter Blue. Com ele qualquer pessoa poderia ter seu perfil verificado por 8 dólares mensais, enquanto as verificações antigas deixaram de existir “em algum momento”, o que se concretizou em abril.

E foi aí que tudo virou de cabeça para baixo.

Se, antes, ter um perfil verificado era uma distinção, de uma hora para outra eles se tornaram uma vergonha para parte das pessoas. Por que? Elon Musk é uma figura que divide opiniões e que não costuma ser ponderado em seus posicionamentos. Isso fez que ele acumulasse uma legião de fãs e de detratores, sendo que exibir o selo azul em seu perfil no Twitter se tornou uma maneira relativamente popular de mostrar apoio ao executivo e as ideias que ele defende.

Assim que os verificados gratuitos começaram a ser desativados, várias instituições e celebridades correram para postar que eles não pagavam para ter o Twitter Blue (para logo em seguida Musk afirmar que ele estava pagando a assinatura para cerca de 1000 perfis com “dinheiro de seu bolso”). Do outro lado da história, não são poucos os assinantes que optam por simplesmente esconder o selo azul de seus perfis, ainda que desfrutem de algumas de suas vantagens (como poder postar textos e vídeos mais longos).

Por fim, estamos vendo, ao vivo, uma grande mudança na cultura de um site, que escolheu vender o que servia de lastro para sua credibilidade em troca de algum dinheiro no final do mês. Pelo sim, pelo não, pela primeira vez em sua história o Twitter parece ver um concorrente real surgir em seu horizonte: o Bluesky, que tem conquistado muita curiosidade do público por – olha só – prometer ser o que o Twitter era antes de Musk entrar no jogo. Mas, por ora, só é possível entrar nele por convite, que ainda são raros.

João Brunelli
Publicitário
joao@lampejos.com.br

Fabio Fonçati e João Brunelli

Assinada pelos publicitários Fabio Fonçati e João Brunelli, a coluna fala sobre as transformações da tecnologia e do comportamento humano