30 de maio de 2020 Atualizado 19:31

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Compartilhe

Histórias de Americana

A energia de Carioba

Por Mariana Spaulucci Feltrin

10 jan 2020 às 08:57 • Última atualização 28 abr 2020 às 08:58

Em 4 de Maio de 1909, o jornal Commercio de São Paulo publicou na coluna “De Campinas” a negociação da Companhia Campineira de Carris Urbano com o comendador Franz Müller, proprietário das Fábricas de Tecido Carioba. Tratava-se da transformação dos bondes movidos por tração animal em tração elétrica na cidade de Campinas. Na reportagem, destacou-se que a energia vinda da Usina Hidroelétrica de Salto Grande ocasionaria a expansão de 22 quilômetros das linhas por toda a cidade.

Já em 10 de julho de 1912, o jornal Cidade de Santa Bárbara comunicou que o gerente das fábricas Hermann Müller e o engenheiro Egon von Frankenberg estiveram com o então presidente da Câmara Municipal de Santa Bárbara, coronel José Gabriel de Oliveira, negociando a concessão de energia para a iluminação pública e privada do município, acordo que se concretizou em 1915.

Outra menção à energia de Carioba está no dia 7 de agosto de 1922. O jornal Correio Paulistano divulgou na coluna “Mala do Interior” um relato sobre a visita de seus representantes na então Fábrica de Tecidos e Fitas de Seda de Carioba. Eleita pelo periódico como uma das mais importantes fábricas do Estado de São Paulo, a reportagem anunciou que no início, em 1902, a empresa contava com 90 teares manuais, passando, posteriormente, para 425 teares movidos por 45 motores energizados pela Usina.

Por meio dos dados recolhidos nesses periódicos disponibilizados pela Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional e pelo CEDOC da Fundação Romi, é possível notar a energização promovida por Carioba sob a administração da família Müller que, além de abastecer a produção de tecido em toda Americana, foi parte central da urbanização de Campinas, Santa Bárbara d’Oeste e região.

Entretanto, deve-se reconhecer que não só por meio da hidrelétrica, mas também com a energia de trabalho de aproximadamente 700 operários que viviam naquela vila, grande parte do desenvolvimento elétrico e urbano foi produzido no que corresponde hoje a uma das regiões metropolitanas mais consolidadas no cenário econômico brasileiro.

*Mariana Spaulucci Feltrin é membro do grupo Historiadores Independentes de Carioba, dedicado à pesquisa histórica sobre Americana

Historiadores de Carioba