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Carreira & RH

A dura necessidade de sofrer calado

Por Marcos Tonin

02 de julho de 2023, às 11h26 • Última atualização em 02 de julho de 2023, às 11h27

De acordo com uma pesquisa realizada pelo instituto britânico de saúde mental, 6% dos profissionais que conversaram com seus gestores sobre estarem com algum tipo de transtorno/sofrimento mental como stress, depressão, luto, tristeza, ansiedade e outras, foram forçados a sair da empresa. A pesquisa afere também que 2% foram diretamente demitidos depois de exporem suas condições mentais.

Os números chocam ao nos apresentar a dura realidade do grande tabu que o tema saúde mental ainda representa para o mundo corporativo.

O preconceito é tão grande por parte das empresas e gestores que 90% das pessoas que ficaram longe do trabalho devido a algum tipo de sofrimento mental, não comentam claramente a razão de sua ausência no trabalho, ou seja, utilizam outras doenças mais “aceitáveis” como labirintite, febre, gripe, pressão alta e etc.

Isso nos leva a entender que transtornos de ordem mental no ambiente profissional ainda são vistos como “frescura” para muitos gestores que só têm abertura para reconhecer temas de saúde física.

Ora, quem não conhece uma empresa que investe em ginástica laboral, aqueles 15 minutinhos para alongamento que “evita a LER”, mas quantos conhecem empresas que possuem programas de promoção de saúde mental no ambiente corporativo?

A falta de abertura e aceitação deste tema, leva muitos profissionais a sofrerem calados, enfrentando de forma solitária e até discriminatória suas condições mentais.

Entendendo que a saúde mental é um estado de bem-estar no qual o indivíduo é capaz de usar suas próprias habilidades para recuperar-se do estresse, ser produtivo e contribuir com a sua comunidade, percebe-se que é algo muito além da ausência de doenças mentais.

Entretanto, a pouca abertura para tratar o tema faz com que profissionais a beira das promoções evitem dizer que estão cansados ou que precisam reorganizar sua rotina de trabalho, com receio de serem “cancelados”.

Enquanto as empresas não entenderem que pessoas falham também quando estão cansadas, erros acontecem quando alguém está demasiadamente preocupado e tristeza faz com que o absenteísmo suba, elas continuarão a investir em programas de treinamento, coaching e mentoria para “tapar” o sol com a peneira e discutir performance sem o elemento mais importante desta equação: o indivíduo e sua relação com sua saúde mental e emocional. 

Marcos Tonin
Executivo de RH e Coach C-Level
tonin.marcos@gmail.com

Marcos Tonin

Marcos Tonin, especialista na área de gestão e liderança, fala sobre mercado de trabalho em textos quinzenais