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Política

Ex-ministro Anderson Torres usou Polícia Federal para pressionar TSE, mostra vídeo

Torres foi um dos alvos da operação Tempus Veritatis, que apura suposta tentativa de golpe de Estado

Por Agência Estado

10 de fevereiro de 2024, às 08h57 • Última atualização em 10 de fevereiro de 2024, às 09h40

Em sua fala durante a reunião golpista de 5 de julho de 2022, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres indicou ter montado um grupo na Polícia Federal para pressionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o processo de preparação das eleições presidenciais.

“Nós montamos um grupo na Polícia Federal com uma equipe completa, com delegados, peritos e agentes, para acompanhar, realmente, o passo a passo das eleições, para fazer os questionamentos necessários que têm de ser feito, e não só as observações. A gente vai atuar de forma incisiva”, afirmou o ex-ministro da Justiça.

Torres foi um dos alvos da operação Tempus Veritatis, deflagrada nessa quinta-feira, 9, para investigar a tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito. O ex-ministro da Justiça chegou a ficar preso.

A Polícia Federal apura a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de generais das três Forças Armadas e de auxiliares. A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Uma das provas usadas na investigação é o vídeo da reunião ministerial do dia 5 de julho, tornado publicado nesta sexta-feira, 9. A fala de Torres durou pouco mais que seis minutos. Ele inicia citando o próprio Bolsonaro. “Não sei nem se todos aqui têm estrutura para o que a gente está falando aqui, mas eu queria começar com uma frase que eu acho muito verdadeira. E o exemplo da Bolívia é o grande exemplo pra todos nós. Senhores, todos vão se foder”, afirmou.

Em sintonia com o chefe, Jair Bolsonaro, Torres afirmou que “a gente precisa atuar agora”. “É um momento realmente de entender o que tá sendo colocado aqui, está certo? De cada um adotar sua postura daqui pra frente em relação ao que vai acontecer no Brasil nos próximos meses”, disse.

O ministro da Justiça relatou também que “o outro lado joga muito pesado”. “Realmente é ameaçador o que está acontecendo. Do lado de lá, é ameaça direta”, disse. Em seguida, afirmou estar desentrenhando a “velha relação do PT com o PCC”. PT é o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o principal adversário de Bolsonaro nas eleições de 2022. “Isso tudo está vindo à tona. Isso não é mentira. Isso não é mentira”, disse.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo alvo da operação era organizado por seis frentes de atuação. Torres fazia parte do Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral e do Núcleo Jurídico.

Procurada, a defesa de Anderson Torres, feita pelo advogado Eumar Novacki, informou que está buscando acesso aos autos e que somente vai se manifestar após analisar o processo.

Torres já cumpre medidas cautelares em razão dos atos golpistas do dia 8 de Janeiro de 2023. Naquela data, quando a Praça dos Três Poderes foi invadida por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro, Torres era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, mas estava de férias nos Estados Unidos.

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