Crime organizado se infiltrou na polícia holandesa, diz relatório


Um relatório da polícia holandesa indica que o crime organizado tem se infiltrado nas forças de segurança em todo o país. O documento confidencial foi divulgado ontem pelo jornal Algemeen Dagblad. Pelo menos 19 oficiais de polícia teriam ligações com o crime e mais de 10 outros teriam sido suspensos recentemente por envolvimento em casos de corrupção.

O jornal cita vários casos de agentes que foram comprados por chefes de gangues. Um policial na cidade de Utrecht, segundo o Algemeen Dagblad, estava na folha de pagamento de Ridouan Taghi, um holandês de origem marroquina, assassino de aluguel e narcotraficante – atualmente, o criminoso mais procurado da Holanda.

Na semana passada, um policial de 55 anos foi preso em Amsterdã por suspeita de corrupção. Foi o sétimo caso em dois meses de prisão de um agente na cidade. Jan Struijs, presidente do sindicato dos policiais, diz que os agentes estão muito expostos ao crime organizado. “Nossos policiais estão sendo abordados constantemente por criminosos”, afirma.

Os números parecem baixos quando comparados à realidade latino-americana, mas assustam quem vive em um país com 100 homicídios por ano – o Brasil tem mais de 60 mil. Em fevereiro de 2018, a polícia holandesa emitiu um alerta alarmista, dizendo que a Holanda estava a caminho de se tornar um “narcoestado”. O país teria um déficit de 2 mil policiais.

A realidade, porém, é que os holandeses têm a segunda menor população carcerária da Europa. O índice é motivo de discussão política. Enquanto funcionários de cadeias e carcereiros reclamam do desemprego, muitos acusam o Estado de não combater o crime. “Se a polícia realmente se esforçasse para colocar bandidos na cadeia, não teríamos esse problema de celas vazias”, diz a ex-deputada Nine Kooiman. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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