Juros fecham em queda com alívio externo e tom suave da ata do Copom


A recuperação global dos ativos de risco, com diminuição dos temores de guerra cambial, e o tom ameno da ata do Copom abriram espaço para uma queda firme dos juros futuros nesta terça-feira. Em trajetória descendente desde o início do pregão, as taxas aceleraram o ritmo de queda à tarde, acompanhando a diminuição da alta do dólar, e fecharam a sessão regular perto das mínimas, em dia de volume negociado robusto.

Na avaliação dos analistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a ata do Copom reforçou o tom suave do comunicado da decisão da semana passada, deixando a porta aberta para um novo corte da Selic em 0,50 ponto porcentual. Segundo cálculos de operadores, com a movimentação desta terça, as taxas futuras espelham um mercado divido entre nova redução de 0,50 ponto e uma queda de 0,25 ponto em setembro.

Em sua ata, o Copom voltou a indicar que há espaço para novo corte da Selic, ao afirmar que “a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo”. Mais uma vez, o Copom salientou a relevância da agenda de reformas para manutenção da “consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva”. O chacoalhão do ambiente global ainda não aparece no horizonte do Copom. A ata repete que “o cenário externo evoluiu de maneira benigna” e que os riscos associados à desaceleração global permanecem.

“A piora no externo foi posterior à última reunião e, dessa forma, não esperávamos uma citação ao ocorrido na ata. O BC até poderia ter aproveitado para dar um recado, mas a avaliação do cenário externo benigno foi mantida”, afirma a economista-chefe da Mongeral, Patrícia Pereira, acrescentando que o Copom pode sinalizar se houver uma mudança em sua avaliação sobre o ambiente global daqui até o próximo encontro.

A economista observa que a ata reforçou o conteúdo do comunicado, sugerindo mais um corte de 0,50 ponto da Selic em setembro. Ela trabalha com a possibilidade de mais uma redução de 0,50 ponto no encontro do Copom em dezembro, o que levaria a Selic a 5%. Uma frustração com a reforma da Previdência seria o risco preponderante à concretização do ciclo de afrouxamento monetário. “Mas se o cenário externo piorar e contaminar as expectativas de inflação, o BC também pode optar pela manutenção”, diz.

Com a Previdência bem encaminhada e mais reduções da Selic, operadores veem espaço para redução dos prêmios ao longo da curva a termo. Isso, é claro, se não houver um recrudescimento das tensões entre China e Estados Unidos. Em meio ao bombardeio do governo americano, que acusa a China de “manipulação cambial”, o Banco do Povo da China (PBoC) não permitiu que a taxa de câmbio oficial superasse a marca psicológica de 7 yuans por dólar. Isso amenizou os temores de que as disputas comerciais descambassem para uma “guerra cambial”, o que abalaria a economia global.

No fechamento do pregão regular, DI para janeiro de 2020 marcava 5,525%, ante 5,56% no ajuste de segunda. Na parte intermediária da curva, DI para janeiro de 2021 passou de 5,569% para 5,49%, e o DI para janeiro de 2023, de 6,54% para 6,42%. Na ponta longa da curva, DI para janeiro de 2025 desceu de 7,05% para 6,94%.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora