Campos Neto vê potencial de crescimento dos empréstimos no Brasil


O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse que o gap existente no crédito em relação ao produto interno bruto (PIB) indica potencial de crescimento dos empréstimos no Brasil. Dentre os setores que têm apresentado queda no saldo de recursos estão, conforme sua apresentação, os segmentos de infraestrutura, habitacional, comércio exterior e o rural e agroindustrial.

“Um canal bastante sólido é a parte do crédito. Tivemos crescimento de quase 12% ao fim de junho, com a diminuição do crédito direcionado e o impulso do segmento livre, com mais crédito privado que público”, avaliou o presidente do BC.

De acordo com ele, parte do impulso vem do mercado de capitais, mas é necessário debater como levar o crédito a outro patamar uma vez que o Brasil é muito inferior que qualquer País da OCDE na parte de financiamento e infraestrutura. Neste segmento, conforme ele, há um grande desafio de marco legal e no setor de saneamento.

“O Brasil tem uma defasagem muito grande. Temos uma penetração de celular muito maior que em saneamento”, alertou Campos Neto.

Ele destacou ainda a necessidade da atração do investidor internacional e a importância do hedge cambial. Segundo ele, o assunto está endereçado e uma medida deve ser publicada em breve.

No segmento imobiliário, o presidente do BC citou a importância de o crédito ser mais securitizado, ou seja, reempacotado e vendido a investidores. Nesse sentido, ele destacou a necessidade de ter outros indexadores do financiamento da casa própria uma vez que a Taxa Referencial (TR) dificulta esse processo pela dificuldade de se fazer hedge.

“Estamos estimulando o financiamento imobiliário com outros indexadores. Para nós, o IPCA é favorável uma vez que a inflação tem correlação grande com ativo real e hedge natural”, disse Campos Neto.

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