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Economia

Brasil retoma autossuficiência e vê produção de alumínio avançar 24% em 2023

Por Agência Estado

14 de abril de 2024, às 13h07

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São Paulo, 10/04/2024 – O Brasil retomou autossuficiência em alumínio e viu a produção brasileira do metal avançar 24% em 2023, atingindo o patamar de 1,006 milhão de toneladas, apontam dados preliminares da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). O resultado representa a segunda melhora anual consecutiva após o setor mostrar recuperação de 5,1% no indicador em 2022.

A recuperação na oferta acontece, principalmente, devido ao religamento do complexo industrial da Alumar, no Maranhão, que voltou às operações no segundo semestre de 2022 e contribuiu para o incremento da produção em escala do metal no último ano, encerrando o ciclo de paralisação que havia sido iniciado em 2015.

Ao Broadcast, a presidente-executiva da Abal, Janaina Donas, destacou que a perspectiva tanto para a oferta quanto para a demanda dentro do setor são positivas no Brasil, dado que a indústria tem sido favorecida pela redução gradual da taxa básica de juros, aliada à continuidade de tendências estruturais observadas para o crescimento do consumo do metal.

No setor, o alumínio é defendido como estratégico para a transição energética, devido ao seu potencial de reciclabilidade e boa condutividade elétrica, além de características favoráveis relacionadas à resistência mecânica, o que sinaliza para um potencial crescimento do metal em setores como energia e transportes.

A porta-voz da indústria nacional do alumínio também mencionou que o Brasil deve encerrar o ciclo de investimentos de 2022 a 2025 com a execução de R$ 30 bilhões em investimentos, fator que sustenta a visão do setor sobre o potencial crescimento que a demanda pelo metal deve desempenhar nos próximos anos.

“Estamos falando em investimentos anunciados e públicos, mas sabemos que existem projetos em amadurecimento e estudo. Os investimentos acontecem de forma contínua, seja em retomada de produção, expansão de reservas, modernização da matriz elétrica de fornecimento – dado a característica eletrointensiva do segmento – mas também há investimentos relacionados à melhorias de gestão e processos que são vistos como incrementais, mas na verdade eles são significativos”, afirmou Donas.

Na terça-feira, 9, a executiva promoveu a abertura do 9º Congresso Internacional do Alumínio, e na ocasião defendeu que o Brasil reúne uma série de vantagens competitivas para o fortalecimento da indústria de base. Ela destacou ainda o fato da cadeia brasileira do metal ser verticalizada, estando presente desde a mineração da bauxita até as etapas de industrialização, comercialização e reciclagem do alumínio em sua forma final. “Não somos apenas um país exportador de commodities”, encerrou Donas.

Consumo

Para os próximos anos, a perspectiva de um aumento da renda e do padrão de vida da população brasileira deve incrementar o consumo de alumínio no Brasil, disse ao Broadcast o secretário-geral do International Aluminium Institute (IAI),Miles Prosser, que representa a indústria de alumínio no mundo.

Segundo Prosser, o Brasil está bem posicionado para desempenhar um papel significativo no fornecimento global de alumínio com alto valor agregado, principalmente em função de dispor de uma matriz energética limpa e um mercado interno robusto. Com relação ao mercado global, o secretário mencionou que o consumo de alumínio deve crescer impulsionado por um aumento na preocupação com a transição energética.

Hoje, o montante mais relevante de consumo de alumínio no País está presente no mercado de embalagens, mas há perspectivas de crescimento da presença do metal em outros segmentos. No setor elétrico, por exemplo, cabos condutores produzidos com alumínio podem favorecer a expansão da rede elétrica, além da aplicação do metal voltado para a energia solar.

Tensões comerciais

No mundo, há um crescente aumento de pressão por parte da indústria por incentivos para aumentar a competitividade ou medidas de defesa comercial, em um contexto de excesso de produção de bens, principalmente partindo da China, que avançam sobre os domésticos de outros países.

Nos Estados Unidos, o país tem adotado o IRA (Inflation Reduction Act), que se traduz em um pacote de incentivos para a transição energética, além da Seção 232, que estabelece uma barreira comercial mais rígida voltada à proteção estratégica do mercado americano. Na Europa, por sua vez, o continente adotou o CBAM (Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira, em português), que visa sobretaxar produtos importados que sejam intensivos em emissões de CO2.

Durante a realização do 9º Congresso Internacional do Alumínio, o tema foi colocado em debate, com o presidente da Companhia Brasileira do Alumínio (CBA), Luciano Alves, defendendo que o Brasil discuta sobre modelos semelhantes que estejam vinculados a garantir igualdade de competição contra produtos internacionais a partir das emissões de carbono.

Sobre o assunto, Miles disse considerar legítimo a adoção por parte das nações de sistemas voltados para o ajuste de carbono, avaliando que a preocupação com a transição energética tem sido crescente no comércio global.

“Em alto nível, há justificativas para se apoiar políticas de descarbonização que implementam ações voltadas a garantir que não existam apenas a imposição de custos às indústrias domésticas. A dificuldade reside, em muitos casos, no detalhe destas políticas”, firmou Prosser, mencionando que algumas dessas ações podem servir como pano de fundo para a adoção de barreiras comerciais.

Janaina Donas, da Abal, avalia que a discussão sobre uma futura aplicação de um sistema de ajuste de carbono na fronteira para o Brasil é saudável, mas que é preciso que um eventual modelo sobre o assunto seja discutido para um formato que faça sentido à realidade nacional.

Presente no evento, a Secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, mencionou preocupação com a proliferação de “CBAMs” ao redor do mundo. Ela disse que o Brasil pretende levar o debate ao G20 com foco em garantir que essas regulações tenham mais transparência e fundamentos voltados para a ciência. Caso contrário, há o risco das regras serem utilizadas como maquiagem para políticas de defesa comercial.

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