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Brasil e Mundo

‘Brasil não voltará a ter superávit tão cedo’, diz economista

Por Agência Estado

07 de junho de 2024, às 08h15 • Última atualização em 07 de junho de 2024, às 08h40

Pressionado por demandas crescentes por aumento dos gastos públicos e com restrições para conseguir novas fontes de receita, o Brasil não voltará a ter superávit primário tão cedo. A afirmação é da coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), Silvia Matos, que participou ontem do 2.º Seminário de Análise Conjuntural, organizado pelo Ibre-FGV e pelo Estadão/Broadcast.

“Há dificuldade de ter mais receitas e de controlar gastos. Os problemas são complexos do ponto da economia política, o que aumenta muito os gastos das receitas recorrentes, e são gastos relacionados à transferência de renda”, disse ela, citando ainda o aumento do déficit da Previdência, que subiu de cerca de R$ 100 bilhões há dez anos para mais de R$ 300 bilhões.

Banco Central

A política monetária e o combate à inflação também foram abordados no evento. O chefe do Centro de Estudos Monetários do Ibre-FGV, José Júlio Senna, afirmou que combate à inflação não pode ficar somente nos ombros do Banco Central, referindo-se às dificuldades que as incertezas fiscais trazem à condução da política monetária. “Os resultados seriam muito melhores se a política fiscal tivesse rumos diferentes dos que tem tomado.”

Para ele, o poder do Banco Central de conseguir controlar o aumento recente das expectativas de inflação está limitado. Primeiro pela política de gastos crescentes do governo, e também pelas incertezas quanto à nova composição da diretoria do BC, cujo presidente, Roberto Campos Neto, deixa o cargo em dezembro. “Não sabemos para que lado vai e isso afeta o comportamento esperado de preços à frente.” Diante desse cenário, acrescentou Senna, é correto o BC interromper o atual ciclo de baixa dos juros.

Para o economista Armando Castelar, a transição do comando do BC deve ser conduzida com cuidado. “Está se colocando uma situação complicada na qual, para ser indicado (à presidência do BC), o cidadão tem de coadunar com a ideia de que o juro será derrubado”, disse.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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