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Economia

Bolsa fecha em alta de 0,89%, aos 93.828,61 pontos, o quinto ganho consecutivo

Por Agência Estado

04 jun 2020 às 18:12 • Última atualização 04 jun 2020 às 18:38

Pela primeira vez no ano, o Ibovespa conseguiu emendar nesta quinta-feira, 4, a quinta sessão em terreno positivo, algo que não ocorria desde o intervalo entre os dias 2 e 6 de dezembro de 2019. Naquela ocasião, em escalada rumo ao topo, o índice teve variações mais modestas, entre 0,03% e 1,23%, então na faixa entre 108.927,83 e 111.125,75 pontos, nos respectivos fechamentos. Nesta quinta-feira, a referência da B3 chegou a se inclinar a uma moderada realização de lucros após o quarto ganho consecutivo, uma série também sem precedentes em 2020 – até então, a melhor sequência era de três ganhos.

Ao final, o Ibovespa teve alta de 0,89%, aos 93.828,61 pontos, assim como ontem no maior nível de fechamento desde 6 de março (97.996,77). Hoje, saiu de mínima na sessão a 92.220,80 pontos, acumulando até aqui ganho de 7,35% na semana, com giro financeiro mais uma vez forte, a R$ 31,2 bilhões. No ano, cede agora 18,87%.

Na máxima do dia, o índice foi hoje aos 94.132,30 pontos, no maior nível desde 9 de março, quando saía dos 97.982,08 na abertura para 86.067,20 pontos no fechamento daquela sessão. Por volta das 15h, o Ibovespa renovava as máximas da sessão, impulsionado pelas ações de commodities e especialmente bancos, que operavam em baixa mais cedo e passaram para terreno positivo, embora com ganhos um pouco moderados no encerramento, ainda assim revertendo a realização de juros que prevalecia na sessão.

Na semana, o segmento, de grande peso no índice e um dos mais atrasados no ano em relação ao Ibovespa, acumula ganhos na casa de dois dígitos, entre 12,39% para Bradesco ON e 19,37% para a Unit do Santander. No ano, as ações de bancos ainda cedem entre 25,87% (Itaú Unibanco) e 35,41% (Santander). Hoje, a Unit do banco espanhol liderou o setor na B3, em alta de 3,57% no fechamento.

Na ponta do Ibovespa, Minerva subiu hoje 7,31%, com JBS na quarta posição (+4,22%), após terem figurado entre as maiores perdedoras do dia anterior. O segmento de proteína animal, assim como o de papel e celulose (Suzano +4,51%, terceiro melhor desempenho do dia), vinha sendo beneficiado pelo avanço do dólar que, em ciclo de alta, elevava a geração de receitas em reais das exportadoras – agora, o dólar tem devolvido os ganhos, acumulando até aqui perda de 3,89% na semana.

Entre as blue chips, Vale ON fechou hoje em alta de 3,73%, em terreno positivo assim como Petrobras ON (+0,45%), enquanto a PN da estatal cedeu 0,19%, em dia de desempenho moderadamente positivo para o Brent de agosto (+0,50%), a US$ 39,99 por barril, no fechamento da ICE. Em Nova York, os três índices mantiveram perdas moderadas ao longo da sessão, com Nasdaq na ponta, em baixa de 0,69% no encerramento, enquanto o blue chip Dow Jones virava para obter leve ganho de 0,05%.

“Os dados econômicos mais recentes – como a produção industrial no Brasil – e especialmente no exterior, como os PMIs da Europa, têm se mostrado menos piores do que se temia. Há uma disponibilidade de liquidez que, em um ambiente de juros negativos no mundo desenvolvido, e baixos pelo padrão histórico em emergentes como o Brasil, acaba inclinando o investidor a assumir risco em busca de retorno”, aponta Shin-Lai, estrategista-chefe da Upside Investors Research.

Segundo ele, a rapidez observada na recuperação do índice da B3, em um contexto ainda muito difícil para a economia brasileira diante da expectativa de forte recessão no ano e de elevação do desemprego, coloca o Ibovespa já relativamente próximo ao que seria o topo do “novo normal”, na faixa entre 95 mil e 105 mil pontos.

“Chega uma hora que, a considerar a perspectiva de resultados para as empresas e para a economia em um cenário muito incerto quanto à pandemia no País, fica difícil achar uma ação para comprar que já não tenha ficado cara”, acrescenta o estrategista da Upside. A diminuição do risco-país, conforme a pontuação dos CDS, em parte refletindo um quadro mais acomodado para a política brasileira em relação ao observado no fim de abril e o começo de maio, contribui para que o investidor estrangeiro identifique oportunidades de ingresso nos ativos daqui. “Mas o estrangeiro, quando entrar, tende a ficar pouco tempo, até que haja sinais sólidos de recuperação da economia”, observa Shin.