Aversão ao risco com tensão entre EUA e IRÃ contamina Ibovespa


O Ibovespa sucumbe ao clima de aversão ao risco que se estabelece no exterior por causa da tensão entre Estados Unidos e Irã. Depois de fechar em novo recorde na quinta-feira, 2, acima dos 118 mil pontos, o principal índice à vista da B3 iniciou esta Sexta=feira, 3, aquém dessa marca. A queda da Bolsa brasileira está em linha com a queda do mercado acionário na Europa e dos índices futuros de Nova York.

“É inevitável queda do Ibovespa. Temos de aguardar para ver como será a repercussão ao longo do dia e do fim de semana, se haverá retaliações. Essas questões geopolíticas são complicadas. O temor é virar algo maior e como tende a ter impacto sobre as perspectivas econômicas”, observou Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença.

Às 10h32 desta sexta, o Ibovespa caía 0,94%, aos 117.458,08 pontos. Na quinta-feira havia fechado em alta de 2,53%, na máxima, aos 118.573,10 pontos, em novo recorde.

A fuga de ativos ocorre após Washington ordenar um ataque e matar o comandante das Forças Quds, uma unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã, o general Qassem Soleimani. Teerã prometeu “retaliação severa”.

Depois dos ataques, a cotação do petróleo no mercado internacional disparou, chegando a subir mais de 4%. Às 10h33, subia 3,61% em Nova York e 3,74% em Londres. O minério de ferro também reagiu, fechando com alta de 2,08% no porto de Qingdao, na China, nesta sexta-feira.

Os papéis PN da Petrobras chegaram a subir na faixa de 1,00%, mas reduziram a alta para cerca de 0,30%, enquanto as ações ON passaram a ceder (0,15%). Conforme Monteiro, há muitas incertezas dos impactos que um eventual avanço deste clima de tensão externo possa ter sobre a economia mundial, sobre os preços e a produtividade.

O próprio presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse nesta sexta ter telefonado mais cedo para o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, para tratar do impacto sobre o preço dos combustíveis. “Quero ter informações dele”, afirmou, acrescentando que os ataques devem, sim, ter impacto sobre os preços dos combustíveis no Brasil. Bolsonaro se encontrará com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, para avaliar a ação militar dos EUA.

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