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Economia

Acho muito desafiador passarmos mais 4 anos com juro nesta altura, diz dono da MRV

Por Agência Estado

08 de junho de 2024, às 16h17

Rubens Menin, dono da MRV Engenharia, aproveitando da presença do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, no painel de encerramento do Fórum Esfera no Guarujá, litoral paulista, disse achar ser muito desafiador o Brasil passar mais quatro anos com a taxa de juro elevada. Ao desenvolver de sua fala, que teve como ponto de partida o conceito de causa e consequência ditando a política monetária, empresário foi apertando o tom na tentativa de levar o banqueiro central para o córner, cobrando dele redução das taxas de juro nominal e, por consequência, da taxa real.

“Eu sou fã do BC independente e tem que ser assim, não tem dúvida, mas eu diria que o juro é necessário, igual uma quimioterapia para curar uma doença. Mas tem uma dose que é a ideal. A gente não pode errar pra mais e nem para menos. Se errar para mais mata o paciente e se errar para menos não cura. Esse juro real de 6% é um desafio, até quando vamos ter que aguentá-lo. As pessoas não aguentam mais, os empresários não conseguem investir”, cobrou Menin, para quem será um desafio grande ter que passar mais quatro anos com a atual taxa de juro.

Menin diz entender que uma das causas do juro elevado é o fiscal e sugeriu que todos os Poderes se reúnam em torno de um consenso para se chegar a um pacote tributário para baixar os custos e dar ao Banco Central condições de tomar conta da economia. “Eu sei que uma das funções do BC é tomar conta da economia, da inflação e do equilíbrio financeiro”, disse.

As provocações do empresário, no entanto, foram imediatamente respondidas por Campos Neto. Demonstrando um tom mais sério que o habitual, o banqueiro central disse que não se pode confundir causa com consequência.

“Hoje se você for ao mercado financeiro, tem um título que o Tesouro emite, uma NTN-b, que paga juro real. Se olharmos 2055, ontem (sexta-feira) a taxa fechou em 6,30%. Isso não é o BC que faz. É o Tesouro que emite e faz isso porque a 6,30% porque é o preço com que as pessoas estão dispostas a financiar o governo. Então a gente tem hoje uma média de juro de 6% com que as pessoas estão dispostas a financiar o governo e isso não tem nada a ver com o BC”, defendeu-se Campos Neto.

Segundo o banqueiro central, o BC não tem capacidade de determinar esses juros longos. Ainda de acordo com Campos Neto, é preciso que se entenda bem o conceito de causa e consequência e que o que o BC faz é determinar a taxa de juro de um dia.

“Se a gente determinar esse juro de um dia sem ter credibilidade o que vai acontecer com essa taxa de juro de longo prazo, vai cair ou vai subir? Ela vai subir e a gente já teve essa experiência no passado”, disse Campos Neto acrescentando que a Selic não determina o prêmio de risco longo e que o trabalho de estabelecimento da Selic de curto prazo com credibilidade e autonomia é que faz com que a taxa longa caia.

“Quando no Brasil tivemos taxa de juro real caindo? Foi exatamente nos momentos em que as pessoas entenderam que o BC tinha credibilidade. Quando a gente entrou com o teto de gastos caiu, quando entrou o arcabouço caiu. Então não podemos confundir causa com consequência. O juro não é a causa, é a consequência. Se fosse causa era ótimo, era só cair o juro e todo mundo aqui estava feliz. Mas a gente não consegue fazer isso”, rebateu Campos Neto.

Ele acrescentou ainda que o BC cumpre uma meta estabelecida pelo governo. “A gente tem um instrumento para alcançar essa meta que é o juro. Trabalhamos com o princípio da separação. Juro é para política monetária, o câmbio é flutuante e as medidas macro prudenciais são para sanar problemas do mercado financeiro”, disse Campos Neto.

O presidente do BC disse que vai entregar uma inflação mais baixa dos últimos tempos e que, apesar de os empresários e bancos não sentirem isso, as pessoas de baixa renda sentem – e sentem muito.

*Os repórteres viajaram a convite do Grupo Esfera

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