Melhorias em ciclovias não alcança faixa para carros


De um lado da avenida, a ciclofaixa recém-reformada pela Prefeitura é aprovada pelos ciclistas. Mas basta olhar para as faixas de carros e pedestres para encontrar buracos e desnivelamento. O cenário, observado em diversas partes da cidade de São Paulo, é motivo de queixas por parte de motoristas e também de pedestres.

Na Rua Frederico Abranches, em Santa Cecília, na região central, o espaço das bicicletas já recebeu novo recapeamento e está na fase de pintura da linha de bordo. Mas o asfalto do restante da via permanece com o mesmo desgaste e buracos, até mesmo na faixa de pedestres, na esquina com a Rua Dona Veridiana, conforme constatou o jornal O Estado de São Paulo na semana passada.

A secretária Edna Andrade, de 58 anos, conta que sua mãe mora na região e sempre que precisa sair de casa liga para ela. “Só estão arrumando a ciclofaixa. Na faixa de pedestres há pelo menos três buracos. Para minha mãe, é impossível atravessar a rua sozinha. Ela sempre me chama porque precisa segurar em mim para não tropeçar nos buracos. A (Rua) Frederico Abranches também tem buracos, alguns não foram tapados adequadamente, e isso também pode provocar acidentes entre carros.”

No fim de agosto do ano passado, a Prefeitura de São Paulo iniciou o programa de revitalização de ciclofaixas na cidade, que no início assustou ciclistas que achavam que as vias estavam sendo apagadas pelo novo recapeamento, já que não havia informações claras sobre a iniciativa. Depois, a nova sinalização ganhou aprovação.

Na Rua Thomé de Souza, na altura do número 600, na Lapa, zona oeste da cidade, o desnivelamento do asfalto se tornou ainda mais visível após o trecho de bicicletas ganhar novo asfalto. “É preciso realizar o serviço em toda a via, não somente na ciclofaixa. O asfalto todo está desnivelado. Dentro do carro é possível sentir o veículo balançar e, quando há buracos, sinto o solavanco”, disse o engenheiro e motorista Renato Francesi, de 64 anos.

Além de buracos, outros problemas são observados em vias que têm ou tiveram as ciclofaixas revitalizadas. Na Rua Cândido Espinheira, em Perdizes, na zona oeste, a área para bicicletas já recebeu nova pintura, mas parte da faixa de pedestres, que acabou sendo recapeada, permanece sem o reparo.

O ciclista e motorista Maurício Balukian, de 56 anos, cobra agilidade do poder público na finalização dos serviços. “Pagamos impostos caríssimos para usar tudo com perfeição, seja como pedestre, motorista ou ciclista.” Mesma agilidade ele pede no serviço das vias que estão esburacadas e tiveram ciclofaixas reformuladas. “Assim que as reclamações chegam é preciso dar apoio imediato para que a situação não se agrave e o conserto seja feito o quanto antes.”

Agilidade. Para Eleana Patta, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Prefeitura tem ferramentas que poderiam acelerar o recapeamento de vias com problemas. “A cidade é equipada com sistemas de monitoramento de todos os serviços. Quando o cidadão fornece a posição de uma ‘anormalidade’ em uma via pública, esse problema fica guardado no sistema, facilitando o planejamento da execução do serviço.”

Questionada sobre a pavimentação de vias com ciclofaixas que passam por requalificação, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal das Subprefeituras, disse que está realizando levantamento dos locais que precisam de manutenção. O investimento previsto para o recapeamento de vias é de R$ 250 milhões. “Cerca de metade dessas vias receberá algum tipo de intervenção de recapeamento”, afirmou, em nota. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também disse que será feita vistoria para verificar os problemas citados pelo Estado.

Já o Plano Cicloviário de São Paulo, que pretende aumentar de 503 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas existentes para 676 até o fim de 2020, com 173 novas conexões, tem orçamento previsto de R$ 325 milhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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