Sem reparos, Estrada Ivo Macris tem um buraco a cada 35 metros

Com histórico problemático, via de Americana tem condições que colocam em risco segurança de motoristas


Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Em média, é como se houvesse uma imperfeição no solo a cada 35 metros

Não há placa de limite de velocidade nem radares na Estrada Municipal Ivo Macris, em Americana. E são totalmente dispensáveis. Os buracos cumprem a função. Em alguns casos, praticamente obrigam o motorista a parar. São 174 buracos, buraquinhos, crateras e deformações completas numa pista que não tem acostamento nem iluminação. Há relatos de gente que foi assaltada ao reduzir a velocidade.

Os defeitos no solo estão distribuídos em 6,2 quilômetros. Em média, é como se houvesse uma imperfeição no solo a cada 35 metros. A extensão da via foi informada pela Prefeitura de Americana, embora da placa que indica o início da estrada até o aterro sanitário sejam 7,5 quilômetros.

Todos os buracos contados pela reportagem do LIBERAL, porém, estão nos 6,2km iniciais, que vão da placa logo após a Basalto até o acampamento Roseli Nunes.

A prática é ainda pior que a matemática. Em alguns trechos, dez ou mais buracos atravessam a pista. É quase impossível passar por eles sem enfiar a roda numa panela de terra. Um desses pontos fica 1,3 km depois do início da pista.

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quase impossível passar por eles sem enfiar a roda numa panela de terra

Às vezes, é possível trafegar por até 900 metros sem encontrar um buraco. Para encontrar, logo em seguida, 20 ou 30 falhas acumuladas em cerca de 20 metros. É isso que obriga muita gente a fazer malabarismo e preocupa motoristas.

“Nas curvas os buracos estão fazendo o motorista jogar pra contramão. É questão de tempo para acontecer uma tragédia”, conta o assistente administrativo Luiz Oliveira, de 30 anos, que trabalha em Paulínia e usa a estrada diariamente.

Ele conta que quase foi assaltado há cerca de um mês, quando reduzia a velocidade para passar por uma cratera. O episódio aconteceu na altura do assentamento Milton Santos. Dois homens de moto o viram e o seguiram, mas ele jogou para a contramão e fugiu.

Uma semana antes, um amigo de Oliveira viu outro homem ser assaltado e perder a moto ali perto.

O leiturista Leonardo Mori, de 32 anos, também passa com frequência pela estrada. No mês passado, quase caiu por causa dos buracos e da terra que ele acredita ter caído de algum caminhão. “Tem uns cinco trechos em que está tudo esburacado”, diz.

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Rosângela tem bar há 17 anos à beira da estrada e já cansou de emprestar estepe e macaco

Caminhões acima de três eixos, aliás, são proibidos na estrada, mas motoristas relatam que eles passam ali com frequência.

A prefeitura informou que a Gama (Guarda Municipal de Americana) fiscaliza o local diariamente. Nos últimos 30 dias, a reportagem foi três vezes à Ivo Macris, e em uma delas encontrou os patrulheiros. Segundo o governo municipal, vândalos retiram as placas, o que atrapalha. “A prefeitura já estuda a colocação de placas em locais que impeçam sua retirada.”

Dona de um bar há 17 anos à beira da estrada, Rosângela Lima Sampaio, de 48 anos, diz que já cansou de emprestar estepe e macaco para quem arrebentou pneus ali. E diz que a situação está cada vez pior.

Prefeitura leva caso para análise do MP

A discussão sobre a qualidade do asfalto na Ivo Macris começou no ano passado. Na época, a prefeitura anunciou ter identificado problemas na qualidade do pavimento colocado no local em 2010. Segundo o governo Omar Najar (MDB), o estudo sugere problemas na execução do projeto. A camada tinha entre 3 e 3,5 centímetros, disse o governo. Na última quinta, a prefeitura informou ter levado o caso ao Ministério Público.

O DER (Departamento de Estradas de Rodagem) terminou a pavimentação na Ivo Macris em 2010. O departamento diz que fez o serviço combinado.

Afirma que o estudo anunciado pela prefeitura ano passado se trata de uma recuperação profunda e estrutural. E o que o DER diz ter feito foi um recapeamento com intervenções no sub-leito, que era o objeto do convênio firmado com as prefeituras de Americana, Cosmópolis e Paulínia – a Ivo Macris faz parte de um conjunto viário que passa por essas três cidades.

Segundo o DER, a falta de fiscalização e manutenção da via, aliado ao tráfego intenso, gerou o desgaste no asfalto. A responsabilidade de manutenção é da prefeitura.

A Estrutural, executora dos serviços, chegou a fazer reparos na via após as queixas da prefeitura, no ano passado. Foram obras emergenciais, para tapar buracos. O governo afirmou que mantém contato com a Estrutural para solicitar manutenção e melhorias. Procurada, a empresa não deu retorno.

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