Investigação da PF chega a empresário em Americana

Editora de Gustavo Tomazin Bortolucci prestava serviço à Prefeitura de Mauá, cujo prefeito foi preso em operação nesta quinta-feira


A PF (Polícia Federal) cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do empresário Gustavo Tomazin Bortolucci, no Jardim São José, em Americana, nesta quinta-feira. A ação fez parte da Operação Trato Feito, deflagrada no Estado com o cumprimento de 52 mandados de busca e apreensão, e dois de prisão preventiva. Nela, é investigada uma organização criminosa que desviava recursos públicos em contratos firmados com o município de Mauá, na Grande São Paulo.

Não foi informado pela PF o que foi apreendido no imóvel do empresário. Ele é proprietário da editora de livros didáticos Brasileirinho Educacional, sediada em Campinas, suspeita de ter pago propina ao prefeito de Mauá, Átila Jacomussi (PSB), preso nesta quinta. A sede da editora também foi alvo da operação.

Foto: João Colosalle / O Liberal
Polícia Federal esteve no imóvel do empresário, na região do Cidade Jardim, na manhã desta quinta

Além dessa empresa, outras oito são investigadas por repasses feitos em espécie ao ex-secretário de Governo João Eduardo Gaspar e estão proibidas de contratar com o poder público até o fim das investigações. Segundo a PF e a Controladoria Regional da União, as empresas investigadas firmavam contratos com a prefeitura e repassavam de volta entre 10% e 20% do valor total recebido.

O dinheiro, entregue em espécie a Gaspar, era repassado como um “mensalinho” a 22 dos 23 vereadores da Câmara de Mauá – a PF estima que o valor mensal era de R$ 265 mil. Desta forma, o prefeito ampliava seu poder político e conseguia a aprovação de projetos que eram de seu interesse.

A Operação Trato Feito é um desdobramento da Prato Feito, de maio, na qual Gaspar e Átila já haviam sido presos – contudo, eles conseguiram a liberdade e retornaram aos cargos por decisões do STF (Supremo Tribunal Federal). Essa primeira fase tinha como foco o superfaturamento em contratos de merenda e uniforme escolar.

Após Átila ser preso, dois processos de impeachment chegaram até o Legislativo, mas os mesmos 22 parlamentares acusados de receberem o mensalinho votaram contra a saída do prefeito.

Em maio, a PF encontrou R$ 580 mil em espécie e anotações na casa de Gaspar. Ele foi preso em flagrante por lavagem de dinheiro, e as planilhas apreendidas deram início às investigações envolvendo nove empresas e os 22 vereadores, todos citados nominalmente. A editora Brasileirinho aparece nessas anotações com dois repasses, um no valor de R$ 22 mil e outro de R$ 20,4 mil.

O contrato firmado em 2017 entre a empresa de Tomazin e a prefeitura previa a entrega de mais de 15 mil kits de livros que estimulassem a leitura. Estavam previstos cinco tipo diferentes de produtos. A soma entre as quantidades previstas no edital e o valor de cada item proposto pela Brasileirinho chega a R$ 1,5 milhão. Assim, a propina paga pela editora pode ter chegado a R$ 307 mil.

A reportagem tentou contato com Gustavo Tomazin Bortolucci por celular, no telefone da editora e na casa dele, mas o empresário não foi encontrado. A advogada dele foi procurada por telefone, mas não retornou os recados.

Os representantes jurídicos de Átila Jacomussi disseram que “este novo e arbitrário decreto de prisão nada mais faz do que requentar fatos que já eram conhecidos e tinham motivado o decreto anterior que foi revogado pela Suprema Corte”.

A defesa de João Eduardo Gaspar foi procurada para comentar a ação da Polícia Federal, mas não houve retorno até o fechamento da edição.

Gaspar já foi secretário de Esportes em Sumaré durante mandato do ex-prefeito José Antônio Bacchim (PT). Tomazin comandou a Secretaria de Desenvolvimento também de Sumaré no governo de Cristina Carrara (PSDB).

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora