Incorporação da Sicoob por cooperativa 'evitou pior', diz diretor

Executivo diz que Banco Central apontou “deterioração da carteira de crédito” e feito exigências que colocaram a empresa em dificuldade operacional


O diretor de Desenvolvimento e Supervisão da Sicoob Confederação, Francisco Reposse Jr. afirmou nesta terça-feira que a incorporação da Sicoob Unimais Bandeirante (Cooperativa de Crédito dos Médicos e Demais Profissionais da Saúde, Pequenos Empresários, Microempresários e Microempreendedores) por uma cooperativa de Goiânia evitou a liquidação da instituição financeira.

A confederação é uma espécie de terceira instância do sistema Sicoob, responsável pelo marketing, tecnologia e apoio às cooperativas locais. Segundo o dirigente, auditorias e fiscalizações do Banco Central apontaram a “deterioração” da carteira de crédito da instituição financeira incorporada. Exigências feitas pelo órgão teriam a colocado em dificuldade operacional.

“Esses R$ 114 milhões são fruto, boa parte, de operações de crédito não honradas. A carteira foi se deteriorando ao longo do tempo e o Banco Central, nas suas auditorias e fiscalizações, fez a exigência de provisionamento dessa inadimplência, o que gerou uma dificuldade operacional. O Banco Central poderia até determinar a liquidação, que seria uma situação muito pior para os cooperados. Como ela pertence ao sistema Sicoob, buscamos preservar a cooperativa com a incorporação”, explicou.

O LIBERAL o questionou sobre a regularidade dessas operações, já que associados ouvidos pela reportagem citaram a possibilidade de empréstimos terem sido concedidos em condições “não usuais”. Há relatos, ainda, de contratos de prestação de serviço fora da realidade de mercado.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Sicoob Unimais Bandeirante, com sede em Americana, foi incorporada por cooperativa de Goiânia

Reposse disse que não poderia responder sobre isso, porque as operações são alvo de auditoria do Banco Central. A incorporação, que resultou na extinção da sociedade com sede em Americana e transferência de seus bens, direitos e obrigações para a Unicentro Brasileira, prevê o rateio desse prejuízo entre os 11 mil associados da região.

Segundo Reposse, não há risco para as operações em andamento pelos cooperados. “Nenhuma operação dos associados, seja depósito, aplicação financeira ou empréstimo será afetado. O objetivo era justamente preservá-las”, ressaltou.

Um associado, que pediu para não ser identificado, afirmou ao LIBERAL que a assembleia que aprovou a operação foi realizada em Goiânia, sem divulgação ampla entre os associados.

O diretor negou qualquer irregularidade nesse sentido. “Assembleia de incorporação se faz na cidade sede da entidade incorporadora, exceto se isso não for possível. Todo o procedimento, de convocação e votação, é analisado de forma muito criteriosa pelo Banco Central, que homologou a incorporação”, completou.

Foto: Reprodução
Nova instituição alerta que prejuízo será dividido

A Unicentro Brasileira, nova responsável pelos cooperados da região, informou que mais funcionários de sua agência, na Avenida Brasil, foram liberados para prestar esclarecimentos sobre a operação aos cooperados. Até a publicação da primeira reportagem do LIBERAL sobre o assunto, apenas gerentes poderiam prestar essas informações.

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