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Americana

Americanenses prestam serviço voluntário em campos de refugiados

Casal abandonou casa, emprego, família e amigos para oferecer apoio humanitário em campos de refugiados na Europa

Por Isabella Holouka

25 fev 2018 às 09:23 • Última atualização 25 fev 2018 às 09:43

A decisão de abandonar casa, emprego, família e amigos para oferecer apoio humanitário em campos de refugiados na Europa pode parecer loucura para muita gente, mas os moradores de Americana Rosimara Lucia Gouvêa, de 39 anos, e Eduardo Matheus Ribeiro, de 38, garantem que a experiência não só valeu a pena como também mudou a forma como o casal encara a vida e seus desafios.

Eles viajaram em janeiro para atuar por 20 dias como voluntários na Turquia e na Grécia, com a Euro Relief, ONG grega atuante principalmente na ilha de Lesbos, que oferece assistência a refugiados que chegam à região. Antes de partir, o casal já fazia trabalho social em Americana, onde se dedicava a moradores de rua e dependentes químicos.

A causa dos refugiados ganhou importância para eles após um curso realizado na agência missionária Jocum (Jovens Com Uma Missão). Em seguida vieram outras formações, que só deixaram evidente a certeza de que o trabalho em Americana era só o começo.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
A causa dos refugiados ganhou importância para eles após um curso realizado na agência missionária Jocum

“Passamos a estudar as guerras, estudamos os motivos e o que acontece com as pessoas”, conta Eduardo. “Também tivemos aulas práticas, conhecemos a Cracolândia, Itatinga [em Campinas], passando o dia e conversando com as pessoas. Vimos o que há de pior aqui no nosso País para quando chegar lá não ficarmos tão impactados”, completa Rose.

Síria, Iraque e Afeganistão são os países de onde mais pessoas fogem, rumo à Turquia, para depois chegar à Grécia, onde a chance de acesso à cidadania de países como a Alemanha é maior, de acordo com eles.

Mas também há refugiados originários do Sudão, da Somália, Irã, Paquistão, Congo, Angola. “A maioria foge da perseguição religiosa, por conta do Islã, da parte radical do islamismo. Mas tem até pessoas de países que não estão em guerra, que fogem da pobreza extrema”, explicam.

ROTINA. “A gente trabalhava 9 horas por dia, em turnos, então conseguimos viver as 24 horas dos refugiados dentro do campo”, relata Eduardo. Além da guarda de diferentes barreiras e portões, os voluntários também são responsáveis pela limpeza e manutenção do campo, cuidado e distribuição de mantimentos, montagem e desmontagem de tendas e alojamento das famílias. Eles trabalham em conjunto com funcionários do governo e a polícia local.

Com oportunidade para observar e interagir, Rose e Eduardo testemunharam chegadas e partidas. “São pessoas educadas, que têm ciência dos problemas e de que precisam passar por aquilo. São muito traumatizadas. São jovens, crianças, adultos, idosos, que passaram pelas piores coisas que um ser humano pode passar”, conta Eduardo. “E eles sorriem, têm força e não desistem”, diz.

As experiências tiraram Rose da zona de conforto. “Eu jamais pensaria em abandonar o emprego, nem por alguém que precisasse muito. Hoje eu percebo que era uma forma muito egoísta de viver”, conta.

“Hoje eu tenho em mim que os meus problemas são muito inferiores. A gente deve estar disposto a abrir mão do melhor e fazer pelo próximo”, afirma Eduardo.