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Celebridades

Sorte de iniciante

Vanessa Gerbelli relembra sua estreia em novelas na pele da aprendiz de vilã Lindinha de "O Cravo e a Rosa"

Por Geraldo Bessa / TV Press

13 Janeiro 2022, às 09h48

No início dos anos 1990, Vanessa Gerbelli era uma jovem atriz dando seus primeiros passos no teatro, mas que nutria certa curiosidade pela televisão. Por sugestão de amigos, ela enviou seu portfólio para tentar uma vaga na então disputada Oficina de Atores da Globo, mas não obteve qualquer resposta. “Fiquei meio frustrada, mas foi algo que me deu forças para focar ainda mais nos palcos”, ressalta.

Mais para o final da trama, a personagem de Vanessa deixou seu jeito mais infantil de lado e começou a experimentar cenas mais densas – Foto: Divulgação

Quase uma década depois, às vésperas dos anos 2000, Gerbelli estava em plena temporada paulistana do musical “Cazas de Cazuza” quando foi abordada por um produtor de elenco da emissora. Ao contrário da falta de feedback da primeira investida televisiva, dois testes depois ela já estava confirmada para viver a aprendiz de vilã Lindinha em “O Cravo e a Rosa”, sucesso que retornou recentemente à tela da Globo inaugurando uma segunda faixa de reprises nas tardes da emissora.

“Ao mesmo tempo em que eu estava feliz por estrear na tevê, também estava apavorada. Nunca tinha feito nem comercial. Levei um susto quando me deparei com as câmeras e toda a estrutura dos estúdios, locações e cidade cenográfica. Aos poucos, fui relaxando”, detalha.

Na trama de Walcyr Carrasco, Lindinha era ardilosa ao criar diversos empecilhos para atrapalhar a vida amorosa de Petruchio, de Eduardo Moscovis. Os dois foram criados juntos na fazenda e mantinham uma forte conexão. Porém, enquanto Lindinha o enxergava como o homem de seus sonhos, Petruchio só conseguia vê-la como uma irmã. “Ela confunde todos os sentimentos e tem uma sensação de posse sobre ele. Apesar de ter um lado divertido e inocente, essa fixação acaba levando a Lindinha a fazer coisas ruins, revelando seus desvios de caráter“, avalia.

A situação fica ainda mais crítica quando Petruchio decide cortejar Catarina, de Adriana Esteves. Inicialmente, o plano era apenas casar com uma moça abastada para sanar as pendências financeiras da fazenda. Porém, para desespero de Lindinha, o casal acaba se apaixonando de verdade. “O clima na locação era muito divertido. Walcyr é um autor muito criativo, renovou as tramas de época do horário das seis com um humor pueril e popular. A gente estudava e ensaiava as cenas já com sorriso no rosto”, conta.

Prevista para ter apenas 100 capítulos, o sucesso de “O Cravo e a Rosa” fez a Globo duplicar sua duração. Sendo assim, alguns personagens foram ampliados. Lindinha passou a ter mais destaque e, mesmo ainda correndo atrás de Petruchio, ganhou um novo pretendente, o carente Januário, de Taumaturgo Ferreira. “Lindinha manipulava o Januário de todas as maneiras. O amor foi nascendo aos poucos nessa dupla. Quando ela viu, estava realmente envolvida”, conta. Mais para o final da trama, a personagem deixou seu jeito mais infantil de lado e começou a experimentar cenas de tintas mais densas.

É dessa fase que vem uma das sequências mais lembradas pela atriz neste trabalho. “Me emociono sempre que lembro da cena em que a Lindinha vai embora da fazenda, rompendo relações com a família e colocando neles a culpa pelas suas frustrações. Foi intensa e menos cômica que o normal. Senti ali uma mudança no perfil da personagem”, destaca.

Natural de São Bernardo do Campo, ABC Paulista, Gerbelli tem deixado sua autocrítica de lado e se divertindo com a reprise de “O Cravo e a Rosa”. Ao longo do tempo, a novela se tornou uma espécie de cartão de visitas da atriz, que saiu da trama já escalada para integrar o elenco de “Desejos de Mulher”, de 2002. No ano seguinte, a convite de Manoel Carlos, a atriz viveu um dos papéis mais notáveis de sua carreira na pele da sofrida Fernanda de “Mulheres Apaixonadas”.

“Foi onde senti o poder de repercussão da novela das nove. Fernanda teve uma vida difícil e morreu de forma trágica. A personagem comoveu o Brasil”, relembra Gerbelli, que ainda esteve em produções como “Kubanacan” e “Da Cor do Pecado”.

Em 2005, seduzida pela renovação do setor de teledramaturgia da Record, resolveu trocar de emissora e ganhou personagens relevantes em produções como “Prova de Amor”, “Vidas em Jogo” e “A História de Ester”. “A Record me proporcionou uma diversidade enorme de papéis. Fazer uma série bíblica, inclusive, foi muito enriquecedor. Este movimento me fez uma atriz mais segura”, analisa. No momento, Gerbelli aguarda a estreia da série “Maldivas“, seu primeiro trabalho para a Netflix.

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