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entrevista

Sonho de liberdade

Série documental “Casão - Num Jogo Sem Regras” mergulha nos contrastes do craque Walter Casagrande

Por GERALDO BESSA_TV PRESS

22 de junho de 2022, às 16h01 • Última atualização em 22 de junho de 2022, às 16h02

A vida de Walter Casagrande sempre foi muito intensa. Ex-jogador e atual comentarista esportivo da Globo, a trajetória de um dos mais famosos centroavantes do Corinthians foi regada a muita boemia, política e rock and roll, elementos que costuram o documentário original “Casão – Num Jogo Sem Regras”, produção de quatro episódios já disponível no Globoplay. “Minha vida é feita de contrastes, altos e baixos. Olhando em perspectiva, tenho muito orgulho de tudo o que vivi e das superações que tive de promover para continuar vivo e ser feliz”, valoriza.

Natural de São Paulo, a história de Casagrande no futebol é cheia de superlativos. Além de diversas idas e vindas vitoriosas no Corinthians, ele também se destacou ao jogar no São Paulo, Flamengo, no Porto, de Portugal, e no Torino, da Itália, atuando nos campos de 1980 a 1996. No início dos anos 2000, mostrou seu lado comentarista na ESPN e logo passou a integrar o time do Sportv e da Globo. “O futebol me deu as maiores oportunidades da minha vida. Ele me proporcionou conhecer boa parte do mundo como jogador. O resto eu conheci como comentarista”, avalia, entre risos.

Você sempre expôs de forma muito franca alguns detalhes de sua trajetória. Como recebeu o convite da Globoplay para a produção do documentário?

Em 2018, eu estava no Rio de Janeiro para fazer os programas do Sportv e a Suzanna Lira me ligou falando que estava com a ideia de fazer um documentário sobre minha vida. Marquei um café da manhã com ela e um roteirista. Eu acredito muito na minha intuição, nos olhos, por isso que eu gosto de falar vendo as pessoas. Quando ela começou a falar, eu vi a vontade genuína de contar minha história. Não era um interesse financeiro ou de publicidade. Ela foi pesquisar, gostou e queria fazer aquilo. Aceitei no primeiro dia que conversei com ela.

Alguma parte mais reservada da sua personalidade terá destaque na produção?

O documentário é importante porque mostra melhor quem eu sou. Vai esclarecer que, desde os anos 1970, sou envolvido com política. Esse é um ponto muito importante para mim, pois às vezes sou julgado porque as pessoas não conhecem a minha história. Esse ponto político é bem importante e conta com muita coisa de arquivo, entrevistas com pessoas que conviveram comigo.

Como foi a escolha dos temas e participações?

Sugeri vários nomes que achava interessantes. Como sou uma pessoa muito intensa, tenho um relacionamento bem próximo de todas as pessoas que indiquei e elas me conhecem bem. Gosto também da parte da minha infância, que ninguém conhece. Nunca dei uma entrevista falando deste período. E tem também a minha história mais dramática, que é o problema com as drogas e a dependência química.

É desconfortável falar sobre esse lado da sua vida?

Nem tanto. Acho que posso ajudar muitas pessoas. Com relação à dependência química, as pessoas vão ver minha história e todo sofrimento, a queda, a dificuldade, mas vão me ver voltar e reconquistar a minha vida. Fui para o fundo do poço e voltei. Às vezes a família não sabe o que fazer e a própria pessoa acha que não se recupera. Então, essa parte eu acho que vai mudar a cabeça de muita gente.

E qual o espaço do futebol dentro da produção?

Tudo na minha vida passa pelo esporte. Explodi muito cedo, com 17 anos já era uma pessoa conhecida. Então, tive de curtir a vida ao mesmo tempo em que era profissional. O documentário também mostra a história da Democracia Corinthiana desde o início, pois acho que foi o momento mais marcante dentro de um clube de futebol no mundo em relação à parte política.

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