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PONTO DE VISTA

Pauta sóbria

Tradicional vespertino da GloboNews, “Estúdio I” adota dinâmica mais séria sob o comando de Andréia Sadi

Por GERALDO BESSA - TV PRESS

13 de junho de 2022, às 10h17

A saída de Fátima Bernardes do “Encontro” reverberou até na GloboNews. Na “dança das cadeiras”, Maria Beltrão deixou o “Estúdio I”, vespertino que apresentava desde 2008, para comandar o “É de Casa”, em um movimento onde ela, enfim, sai da área de jornalismo e entra no núcleo de entretenimento da Globo. Como substituta, o canal de notícias escolheu a paulistana Andréia Sadi, atitude que deixa claro que a produção não passaria apenas por uma renovação, mas por uma guinada no seu estilo de informar. Diário e feito na medida para o “hard news”, o “Estúdio I” foi criado em um momento onde a GloboNews queria flertar um pouco mais com a liberdade de comportamento e formato. Com isso em mente, Beltrão colocou seu jeito “livre, leve e solto” a serviço da produção, conquistando um público cativo e criando um espaço onde as editorias de política e cultura eram costuradas pela descontração da apresentadora e seus convidados.

A entrada de Sadi e sua “persona” mais sóbria, com uma pegada mais jornalística, muda totalmente a dinâmica e demonstra o prestígio do programa para a direção do canal. No Grupo Globo desde 2015, Sadi chamou a atenção da empresa e do público a partir de seu jeito mais íntimo e cheio de propriedade de cobrir a editoria de política em Brasília, postura que a levou para o time de debatedoras do extinto “Programa do Jô”. Ao sair da “bolha” da simples repórter que aparece no noticiário, Sadi acabou tornando-se uma pessoa pública, o que a fez ganhar notoriedade e popularidade, mas sem perder a credibilidade de seu discurso. À frente do “Estúdio I” desde este início de junho, ela ainda tenta se ambientar e acalmar o clima meio circense instalado por Maria Beltrão. Talvez por isso ela surja em cena meio engessada, mas que aos poucos foi se relaxando ao longo das três horas de duração do vespertino.

Transmitidos a partir dos estúdios do Jardim Botânico, sede de jornalismo da Globo, localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro, é fato que os programas da GloboNews têm um espaço reduzido dentro das instalações da emissora. Na última década, entretanto, houve um esforço para que os noticiários ganhassem uma cenografia mais sofisticada e que valorizasse o caráter tecnológico das produções. O relançamento do “Estúdio I”, entretanto, vai na contramão desse esmero. Mesmo que o prato principal da produção seja a notícia em si, a falta de investimento na estética dos programas é uma notória dificuldade dos canais de notícias. Com iluminação totalmente chapada, móveis cenográficos de gosto duvidoso e, aparentemente, nada confortáveis, o programa ganha um visual confuso e nada sedutor. Contrastando bom conteúdo com visual fraco e uma apresentadora em adaptação, o “Estúdio I” carece de ajustes, mas já está em um novo bom caminho, na direção de um jornalismo de melhor qualidade que aquele implementado por Maria Beltrão.

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