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Celebridades

Olhar para trás

Sandra Annenberg comanda “Retrospectiva 2020” e relembra os fatos mais marcantes do último ano

Por Caroline Borges - Tv Press

01 jan 2021 às 18:46

É difícil ficar imune ao jeito doce e carismático de Sandra Annenberg. A jornalista de 52 anos apresenta um olhar peculiar de ver o mundo e as duras notícias que se destacam no dia a dia da redação de um telejornal. Após duas passagens pela bancada do “Jornal Hoje” entre os anos de 1998 e 2019, Sandra assumiu o “Globo Repórter”, ao lado de Gloria Maria.

A revisão dos acontecimentos do último ano, que irá ao ar terça, dia 29, provocou inúmeras reflexões para Sandra – Foto: Globo – Divulgação

Porém, com a chegada da pandemia do novo coronavírus, a nova função foi rapidamente abreviada. De volta aos estúdios de tevê de forma gradual, ela assume o comando da “Retrospectiva 2020”, também tendo Gloria como parceria de trabalho.

A revisão dos acontecimentos do último ano, que irá ao ar terça, dia 29, provocou inúmeras reflexões para Sandra. “Foi um ano que nos fez parar para pensar. Fomos obrigados a parar. Tive a sensação de viver um dia de cada vez porque a gente não sabia como seria o amanhã. Por mais cuidados que a gente tome, ainda estamos vulneráveis de pegar o vírus. Foi um ano de muito medo, mas, ao mesmo tempo, importante de compreender e rever prioridades. As coisas se realocaram e tomaram proporções diferentes”, analisa Sandra, que define o ano a partir da empatia.

“A gente pensava muito: ‘e se fosse comigo?’. Tudo era muito próximo da gente. Se não cuidarmos da gente, não estaremos cuidando do outro. 2020 foi, finalmente, o ano da empatia. Uma palavra da moda, mas que esse ano teve destaque mesmo”, completa.

A “Retrospectiva 2020” faz um balanço de um ano marcado por uma pandemia, conturbadas eleições americanas e a sempre inacreditável crise política brasileira. Com tantos acontecimentos, a produção ganhará uma versão exclusiva para o Globoplay com cinco episódios temáticos. O novo formato terá a participação dos repórteres especiais do “Globo Repórter” na condução de cada episódio – Edney Silvestre, Isabela Assumpção e Renato Machado. Todos os episódios estarão disponíveis no mesmo dia, 29: “O Ano do Vírus”, “O Ano da Perplexidade”, “O Ano da Incerteza”, “O Ano do Fogo” e “O Ano da Diversidade”. “Fico chateada de ter ficado distante da Gloria nesse período. Tivemos muito pouco tempo juntas no ‘Globo Repórter’, mas a gente vai se agarrar de novo”, torce.

Como está sendo participar da produção da “Retrospectiva 2020”?
Estamos em plena produção. É um trabalho árduo. Entendo que cada pessoa vá enxergar essa “Retrospectiva 2020” com um peso para si. Tenho recebidos os textos e, cada vez que vou gravar alguma coisa, um filme vai passando na minha cabeça. Várias coisas eu nem lembrava mais. Hoje, as notícias se sucedem com uma rapidez incrível. A manchete de três minutos atrás já foi substituída por outra. O volume de informação está enorme. Acho que rever essa linha do tempo será um exercício para pensar e aprender. Que lição vamos tirar de tudo isso? Aprender com nossos erros.

Em razão da pandemia, algumas partes do trabalho da “Retrospectiva” estão sendo feitas de forma remota. Como tem sido lidar com essa nova realidade?
Todos estamos envolvidos nesse projeto. Todos os 30 profissionais do “Globo Repórter” estão trabalhando nesse momento. Esse trabalho remoto é uma grande novidade desse ano. Tive de aprender como gravar partes de um programa de casa, como gravar os “offs” em casa. Isso tudo é um grande desafio. E não só de tecnologia, mas também de toda a dinâmica e interação da equipe a distância. Por enquanto, estamos dando conta disso tudo.

Além do programa tradicional da tevê, a produção ganhará um especial no Globoplay com cinco episódios. Como será esse novo formato?
Esse ano de 2020 é um ano que marca para sempre a história da humanidade. É um ano que não houve, que mal começou e que jamais terminará. Todo mundo tem uma história para contar desse ano. Vamos tentar dar conta de tudo, mas, com certeza, alguma coisa ficará de fora. Então, será bom ter esse formato para englobar mais assuntos. Dividimos os episódios por tema, mas tudo se intercala e o novo coronavírus é o grande fio condutor.

Em um ano com uma sucessão de acontecimentos, o que mais chamou a sua atenção nas pautas da “Retrospectiva”?
Acho que foi o ano da diversidade. Todo esse movimento das pessoas nas ruas pelo Black Lives Matter e das mulheres se organizando também. Acho que foi muito simbólico, as ruas que estavam vazias por conta da pandemia, de repente, ficaram lotadas de pessoas em uma luta pelos seus direitos. O discurso da Kamala Harris, vice-presidente eleita dos Estados Unidos, foi emocionante também. Foi incrível ver uma mulher negra e asiática no segundo papel mais importante do mundo. Temos muitas conquistas para celebrar também nesse 2020. Ainda assim, há um ponto que também me chamou a atenção demais: encarar governos negacionistas.

Como assim?
Durante uma pandemia é inacreditável que existam governos negacionistas. Os números estão na nossa cara, vidas estão sendo perdidas. No Brasil, temos mais de 180 mil mortos, nos Estados Unidos é ainda pior. O mundo vendo milhões de contaminados. Vamos negar o que exatamente? Foi forte e difícil lidar com isso. É inacreditável que se tenha qualquer dúvida sobre a ciência. Temos de acreditar e investir na ciência. Isso não pode ser politizado. Ao longo de 2020, a gente viu esse país tropical queimando. Enfim, a gente está jogando nosso futuro fora dessa forma. Não foi fácil ver isso. Vamos lembrar disso na “Retrospectiva” também.

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