05 de maio de 2021 Atualizado 19:44

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Publicidade

Compartilhe

Celebridades

O prazer em aprender

De volta ao ar em “A Vida da Gente”, Gisele Fróes relembra as complexidades da cruel Vitória

Por Caroline Borges / TV Press

29 abr 2021 às 07:31

Há 35 anos na tevê, Gisele Fróes sabe exatamente como encontrar prazer em cada trabalho. Atualmente revendo sua participação em “A Vida da Gente”, a atriz de 56 anos ainda carrega detalhes e ensinamentos da cruel treinadora de tênis Vitória. O projeto, que foi ao ar há quase 10 anos, segue reverberando no dia a dia de Gisele.

“O grande prazer dessa profissão é nos transformar com a relação que criamos com cada personagem e elenco. Eu sofri muito para fazer ‘A Vida da Gente’. É muito sedutor e burro cair em um lugar-comum na hora de criar uma vilã. Mas a Vitória não era vilã. Era uma mulher com suas dores e prazeres. Tive dificuldades para não julgar e encontrar um lado humano da personagem. Isso me afetou e vai me afetar para o resto da vida”, explica.

Em “A Vida da Gente”, Vitória é a rígida e obstinada treinadora de Ana, papel de Fernanda Vasconcellos. Arrogante e franca, ela é famosa pelos petardos que profere contra equipe e alunos. Casada há 10 anos com Marcos, de Ângelo Antônio, Vitória vive a inversão moderna da mulher que trabalha fora enquanto o marido se ocupa da casa e das crianças. Perde Marcos para uma mulher comum, sem fama, dinheiro ou talento, e revida atazanando a vida do ex-marido, sem pudores em usar os filhos.

“Ela tinha essa característica de ser uma mulher má, cruel, dura. O exercício que eu fazia era de experimentar justificar a crueldade dela. Ela era sem empatia, sem flexibilidade nas relações. Já eu sou meio molenga e precisei exercitar isso em mim, de ser mais firme em certas atitudes e relações”, afirma.

Para Gisele, é uma revolução esse período de pandemia que todos estão passando – Foto: Divulgação

Como você recebeu a notícia da reprise da novela?  

Fiquei muito feliz. “A Vida da Gente” é um trabalho lindo. Texto, direção, direção de arte, figurino, elenco, tudo muito precioso. Imagino que o público tenha ótimas lembranças do trabalho, por isso a reação tão positiva. Eu fiquei superfeliz quando soube que teríamos a oportunidade de assistir outra vez. É um trabalho que me dá muito orgulho.

Quais são as principais lembranças que você carrega desse projeto?

Engraçado, eu tenho dificuldade para lembrar de alguma específica da novela. Mas acredito que minhas principais lembranças estão nas relações que construímos ao longo do trabalho. Eu dividia muito camarim com a Marjorie (Estiano) e a Fernanda (Vasconcellos). Então, lembro muito da concentração e da dedicação delas. A cena da Marjorie de fone de ouvido se preparando para a cena é muito forte na minha cabeça. A entrega da Fernanda também. Também lembro da Alice tão novinha. Ela saia direto da escola, depois de fazer prova, para a gravação. Acho que as relações humanas da trama transbordaram para os bastidores.

A Vitória era uma personagem cruel e insensível, mas não era caracterizada como vilã. Onde você buscou inspirações para compor a técnica de tênis?

Tive inspiração em outras personagens que são duras. Na época, lembro que vi Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada”. Fui me nutrindo. Cada personagem que a gente faz vai aumentando a nossa história. A Vitória me deu a oportunidade de exercitar dentro de mim uma pessoa mais seca, mais reta. Não do lado ruim, porque ela é uma pessoa insensível para muitas coisas. Mas, por que não experimentar como seria se eu fosse uma pessoa mais reta, mais direta com as pessoas, sem muitos rodeios? Aprendo com os personagens e a Vitória me deu a oportunidade de experimentar isso.

Recentemente, você também esteve no ar na edição especial de “A Força do Querer”. Você tem o hábito de rever seus trabalhos antigos?

Eu tinha uma certa dificuldade para me ver. A gente se apega a essa mentira de que, ao se ver, vai ficar se criticando demais. Mas, recentemente estive com o meu pai (Rogério Fróes) e, ao chegar na casa dele, ele estava revendo “O Bem-Amado”, que passou há uns 40 anos. Foi lindo ver aquela imagem dele, aos 86 anos e com a cabeça branca, vendo um trabalho tão antigo, aquela história tão brilhante. Isso desmontou essa imagem de saudosismo da juventude, sabe? Acho que rever esses trabalhos está sendo dessa forma. É muito prazeroso. Acho uma dádiva ter a chance de ver um projeto meu de 10 anos atrás.

Após pouco mais de um ano da chegada da pandemia, como você tem lidado com esse período turbulento?

Eu já passei por vários momentos. Estamos há tanto tempo nessa tentativa de isolamento. A gente vive com medo. Temos medo de encostar no outro, respirar o mesmo ar. Isso é muito grave. Ao mesmo tempo, estou sentindo um prazer enorme de me permitir não sair de casa. Estou lendo as coisas que sempre quis, estudando bastante. Estou super sem tempo. Enquanto estou aqui nessa entrevista, minha louça está suja na pia (risos). Acho que é um tempo de repensar atitudes e como elas podem impactar na vida dos outros.

Publicidade