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Nostalgia

Mulher realista e popular

Enquanto espera o retorno de “Amor de Mãe”, Malu Galli se diverte em rever a popular Rosângela de “Totalmente Demais”

Por TV Press

30 abr 2020 às 15:30

Malu Galli estava totalmente envolvida com os dilemas da afetada Lídia de “Amor de Mãe”, até que a pandemia de Coronavírus fez a Globo paralisar seu setor de teledramaturgia. Apesar da frustração em ter de deixar a personagem temporariamente de lado, a atriz está aproveitando o tempo em casa para rever dois trabalhos que adorou fazer: “Malhação – Viva a Diferença” e, em especial, “Totalmente Demais”.

Natural do Rio de Janeiro, Malu por muitos anos se dedicou apenas ao teatro e ao cinema. Embora tenha feito pequenas participações no vídeo em tramas como “Pátria Minha” e “Andando nas Nuvens”, ela considera a minissérie “Queridos Amigos”, de 2008, como sua estreia de verdade na tevê. “Foi a primeira vez que eu realmente estava em cena e integrada ao enredo e ao elenco. Tudo naquela minissérie foi incrível e passei a sentir prazer em fazer televisão”, conta.

Em 12 anos Malu se tornou um nome disputado na Globo, trabalhando com diferentes diretores e autores – Foto: Divulgação / TV GLobo

Apesar da estreia tardia, em 12 anos Malu se tornou um nome disputado na Globo, trabalhando com diferentes diretores e autores em produções como “Sete Vidas” e “Império”. “Corri atrás do tempo perdido. Fiz grandes amizades e sinto muito orgulho dessa relação que venho construindo com as novelas e séries”, avalia a atriz de 48 anos.

“Amor de Mãe” saiu do ar, mas você continua aparecendo no vídeo nas reprises de “Malhação – Viva a Diferença” e “Totalmente Demais”. Essa exposição é sinal de que você trabalhou bastante nos últimos anos?

Malu Galli
Acho que mostra que fiz os projetos certos (risos). Demorei a investir na televisão. Fiz uma participação especial ou outra nos anos 1990, por exemplo. E minha primeira personagem com história do começo ao fim de uma produção foi em “Queridos Amigos”, de 2008. A partir daí, não parei mais. No momento estou bem dividida. Amo rever minhas personagens de “Malhação” e “Totalmente Demais”, mas eu estava muito envolvida com “Amor de Mãe”. É um trabalho especial e espero que a gente volte logo para o estúdio

Qual era o clima dos últimos dias de gravação de “Amor de Mãe”?

Malu
Estava todo mundo muito apreensivo, uma sensação estranha de que não deveríamos estar ali. Minha última cena foi uma noturna no sábado, dia 14 de março. Dois dias depois, a emissora anunciou a pausa das novelas. Foi a melhor decisão, visto que é uma produção com muitos profissionais envolvidos. A saudade da novela está grande demais.

Depois da morte do filho e de se livrar dos golpes do amante, a Lídia estava pronta para uma nova “virada” em “Amor de Mãe”. Como você acha que será essa segunda fase da personagem?

Malu
A Lídia me surpreendeu muito ao longo dos capítulos. Ela começou como uma dondoca repugnante e foi aprendendo com a vida a ser uma pessoa melhor. Ainda falta um longo caminho a percorrer e acho que, depois de tudo o que ela passou, a segunda fase dela vai na direção da desconstrução da perua e uma discussão legal sobre a solidão da mulher madura e o alcoolismo.

Você tem diversas personagens chiques e elegantes no currículo. De alguma forma, interpretar a Rosângela em “Totalmente Demais” foi uma maneira de diversificar mais sua carreira?

Malu
Foi um momento importante e esperado. Acabo sempre sendo escalada para núcleos ricos e faltava uma personagem popular na minha trajetória na tevê. Foi muito bom defender uma mãezona batalhadora e apaixonada. Rosângela é uma mãe guerreira como a maioria das mães neste Brasil. Cuida sozinha da sobrevivência da família e aprendeu a não esperar nada de homem, apesar de ainda ser apaixonada por Florisval (Aílton Graça). Como toda mulher, ela é a contradição em pessoa, uma figura típica dos dramas latinos. Me diverti muito.

Qual sua principal lembrança das gravações?

Malu
Muitas. Em especial, meu primeiro dia de gravação com o Aílton, que até hoje é como se fosse meu irmão. Nós tínhamos uma cena de beijo que terminava em gritaria e vassouradas de Rosângela em Florisval. Eu perguntei: “Posso bater?”. Ele disse: “Bate!” Na hora da cena, fui com tudo e gritando junto, descendo a rua da cidade cenográfica. Estava tão envolvida que não ouvi o “corta” da direção. Aílton, com aquele vozeirão, gritou: “Ele disse cortaaaaaa!”. Foi uma gargalhada geral dos figurantes e da equipe e, desde aquele dia, ficamos amigos para a vida toda.