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PERFIL

Hora da verdade

Aos 40 anos, Paulo Lessa aproveita sua primeira oportunidade como protagonista na pele do destemido Ítalo de “Cara e Coragem”

Por MÁRCIO MAIO - TV PRESS

11 de junho de 2022, às 10h04 • Última atualização em 11 de junho de 2022, às 10h05

Até interpretar o Ítalo, o personagem com mais destaque de Paulo Lessa foi na Record, em 2017, no folhetim “Belaventura”. Ele encarnava Accalon, um caçador de recompensas que roubava dos ricos para ajudar os pobres

Chegar ao posto de protagonista na tevê, na maioria das vezes, é um caminho longo. Para Paulo Lessa, o destemido Ítalo de “Cara e Coragem”, foi assim. Hoje com 40 anos, o carioca já aposta nas artes cênicas desde meados dos anos 2000. Mas a chance de ganhar um dos principais papéis da novela das 19h da Globo veio meio que por acaso e foi conquistada após uma bateria de testes. “A novela já estava praticamente toda fechada. A partir da saída de um ator, resolveram abrir seleção para o Ítalo. Inicialmente, foi entre 15 atores. Ficamos três para a final e, então, consegui meu primeiro protagonista”, comemora.

Na trama, Ítalo é um guarda-costas com experiências de fazer inveja nos profissionais dessa área. Afinal, trabalhou até para o presidente dos Estados Unidos. Contratado por Clarice, papel de Taís Araújo, para trabalhar na Siderúrgica, os dois acabaram se envolvendo e, nessa história de amor, muita coisa começa a acontecer. “Ítalo é o herói, o cara que se propõe a desvendar todo esse mistério da morte da esposa. Quer descobrir quem armou tudo isso e a matou”, defende Paulo. Nessa aventura para investigar o crime, os caminhos do instrutor de parkour cruzam com os dublês Moa e Pat, vividos por Marcelo Serrado e Paolla Oliveira.

Para suas cenas, Paulo precisou aprender um pouco mais sobre parkour. Ele já conhecia o esporte, mas por vídeo da internet a que já tinha assistido. “A novela que me deu essa oportunidade de conhecer vários praticantes que estão com a gente. Inclusive o meu dublê, Alexandre Roque, que é fundamental para a construção do personagem”, valoriza. Para Paulo, seria impossível fazer as cenas, por mais que tenha treinado bastante. “Não é a mesma coisa. São anos de prática ali. Está sendo muito legal, não é um esporte popular”, avalia.

A felicidade pelo espaço conquistado em “Cara e Coragem” trouxe junto o peso da responsabilidade. E, é claro, uma agenda bem mais lotada de trabalho. “Gravo praticamente todos os dias e gravo muito. Fico feliz, porque é uma carreira muito difícil, instável, incerta. Você não sabe quando vai surgir um personagem como esse. É uma felicidade imensa, mas bate certo medo no início”, confessa. Por outro lado, o alcance que a novela tem e a representatividade que carrega nessa posição tornam o processo ainda mais gratificante. “Tem essa responsabilidade também da mensagem que a gente faz chegar na casa das pessoas”, reconhece.

Para se preparar, Paulo teve o apoio da preparadora de elenco Cris Moura. Juntos, buscaram referências que ajudassem o ator. Algumas mais óbvias, como o clássico filme “O Guarda-Costas”, de 1992, estrelado por Kevin Costner e Whitney Houston, assim como uma série da Netflix chamada “Bodyguard”. “Mas a gente pegou outras não tão óbvias assim, não tão diretas, para entender a relação entre Clarice e o Ítalo. Como, por exemplo, ‘Cenas de um Casamento’, da HBO, que é incrível”, diz.

Iniciativa racial

Além da carreira de ator, Paulo também cuida da “Casa Afrodai”, que herdou da mãe. Trata-se de um salão afro com muitos anos de atuação no Rio de Janeiro, o Salão Afrodai. “Depois de muito tempo fechado, locando esse imóvel para outras coisas, decidi retomar a atividade ali e estimular a cultura e o empreendedorismo preto em um só lugar”, conta. O espaço fica na Lapa, na região central do Rio de Janeiro. “É um bairro que tem uma história incrível e que vive a cultura, tem essa simbologia tanto da política quanto da cultura. Bairro de artistas”, pontua.

Paulo torce para que o espaço conquistado por ele em “Cara e Coragem” sirva também para ajudá-lo no empreendedorismo. “Quero continuar tocando a casa e que ela só evolua. Espero que a visibilidade atraia bons parceiros para aquele lugar”, fala. Com a pandemia, ele reconhece que está cada vez mais complicado manter as portas abertas. “Sofremos reflexos econômicos muito sérios ainda. Várias empresas fecharam e muita gente ficou desempregada”, lamenta.

Instantâneas

Paulo começou a trabalhar como modelo na adolescência, se destacando em campanhas publicitárias e editoriais de moda.

O primeiro personagem fixo do ator na tevê foi em 2009, na novela “Viver a Vida”, como o médico Mário.

Um dia, Paulo resolveu fazer teste para um filme que buscava não-atores. Era para “Tropa de Elite”, mas não foi aprovado. Como avançou bastante na seleção, decidiu estudar e seguir a carreira de ator.

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