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Celebridades

Fantasia perdida

Com elenco pouco inspirado, websérie “Novelei” se destaca ao subverter o universo das novelas de forma criativa e inusitada

Por Geraldo Bessa - TV Press

04 de agosto de 2022, às 09h57 • Última atualização em 04 de agosto de 2022, às 09h58

A Globo adora uma autorreferência. E ciente de sua potência como produtora de novelas, a emissora quer a todo custo não apenas conquistar um novo público como também brincar um pouco com as idiossincrasias do próprio formato. É essa a base do “Novelei”, websérie que marca a primeira parceria entre a Globo e o YouTube. Com vídeos disponibilizados semanalmente, a história se passa em um curioso e mundo paralelo em que, após um bug no sistema, as novelas começam a ser apagadas da memória de todos. Com isso, Vitinho, assistente de produção com muitos anos de Estúdios Globo, vivido por Paulo Vieira, convoca um time de criadores de conteúdo da internet, formado por Thalita Meneghim, Gusta Stockler, Phellyx, Babu Carreira, Evandro Rodrigues e a ainda iniciante Anita, de Livia La Gatto, para refazerem algumas das obras que marcaram época. Para dar conta da missão, eles ainda recorrem à ajuda da inteligência artificial Susaninha, que ganhou a voz de Susana Vieira e do pesquisador Seu Tony, de Tony Ramos.

Propositalmente caótica, a história criada por Bia Braune foi inspirada nos anos em que ela prestou serviços como roteirista do extinto “Vídeo Show”, programa que ficou 30 anos no ar e que ganhou nos últimos anos a clara missão de publicizar a grade de programação. É com essa bagagem de referências que a autora mergulha em clássicos da teledramaturgia nacional como “Vale Tudo”, “Laços de Família”, “Vamp”, “Mulheres de Areia”, “Avenida Brasil” e “Senhora do Destino”, entre outros, para ir além do texto, propondo uma nova configuração de cena que possa servir para relembrar o que foram essas obras tão importantes. O charme da produção nasce justamente da capacidade de rir do inusitado presente em cada novela. No episódio de “Laços de Família”, por exemplo, Isabelle Drummond revive os dilemas da vítima de câncer Camila, papel de Carolina Dieckmann, em um contexto mais atual, onde a intérprete se recusa a cortar o cabelo para ganhar um bom dinheiro com uma publi nas redes sociais.

Com resultados oscilantes, de acordo com o apelo popular da história e adaptação aos olhos do agora, o ponto mais fraco do “Novelei” fica por conta do mau desempenho dos influenciadores digitais convidados para o projeto. Com exceção do divertido Phellyx, o povo da internet parece ter dificuldade em entrar nos personagens de forma realmente convincente e engraçada. Apesar de inventivo, o texto também tem seus percalços e nem todas as piadas se conectam com o timing de um elenco inexperiente. É a presença de Paulo Vieira na condução das cenas que salva a websérie do total fracasso. Na pele de Vitinho, Vieira encontra o desespero e a motivação de um personagem feito para seu tipo de humor. Idealizado como parte das comemorações dos 70 anos das telenovelas, o projeto honra essa história ao contar com participações especiais de nomes como Claudia Raia, Cauã Reymond, Ísis Valverde e Carolina Dieckmann, entre outros, demonstrando a prestígio da produção e fator responsável pela conexão com toda a influência que a teledramaturgia ainda exerce no país.

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