Veganismo na infância

Com acompanhamento médico e ajuda de especialistas, dá para mudar a alimentação dos pequenos, sem afetar a qualidade de vida e o consumo de nutrientes


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De acordo com a nutricionista Cleonice Pereira, é comum que pais que já adotam o veganismo busquem introduzir esse estilo também aos filhos

Adotar o veganismo não significa mudar apenas os alimentos que são ingeridos no dia a dia. O veganismo prega um estilo de vida muito mais abrangente, que engloba também hábitos de consumo de produtos que não tenham origem animal. Se fazer essa migração já é uma tarefa complexa para os adultos, para as crianças também não é diferente. No entanto, se acompanhadas desde cedo, elas podem seguir esse tipo de alimentação com mais facilidade e o melhor: sem prejuízos para sua saúde e desenvolvimento.

De acordo com a nutricionista Cleonice Pereira, é comum que pais que já adotam o veganismo busquem introduzir esse estilo também aos filhos. “O exemplo diz tudo”, explica a especialista. “Desde a mais tenra idade, deve-se explicar-lhes que não há necessidade de sacrificar a vida dos animais para prover nossa alimentação, já que uma alimentação 100% vegetariana é mais completa e saudável do ponto de vista nutricional”, diz. E qual é a idade certa para inserir a dieta vegetariana? “A partir do desmame do leite materno, ou seja, dos seis meses em diante deve-se começar a introduzir alimentos sólidos. Este é o melhor momento para inserir a dieta vegetariana”, aponta a nutricionista.

“Assim que as crianças começam a entender sobre o mundo em que vivem, é o melhor momento de ensiná-las quais são os alimentos mais apropriados para fazer parte da sua dieta, a fim de prover melhor nutrição e consequentemente mais saúde e qualidade de vida”, complementa.

Você sabia…
Dados mostram que a adoção do veganismo pelos brasileiros têm aumentado. De acordo com os números divulgados pelo Ibope, em abril deste ano, e pela SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira), em 2017, estima-se que a população brasileira é formada por 14% de vegetarianos. Além disso, os que se dizem veganos já correspondem a cerca de 7 milhões de pessoas, com incremento de 2 mil novos veganos por semana no País.

Dicas e cuidados principais

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Inserir pratos veganos no cotidiano dos filhos não é missão impossível

Antes de iniciar uma dieta vegana em crianças e adolescentes, a visita a médicos especializados é imprescindível. “O ideal é que [os pais] sejam orientados por um nutricionista especialista e com experiência em nutrição vegetariana, pois dessa forma o profissional terá base sólida para acompanhar essa criança”, além disso, exames precisam ser feitos periodicamente, a fim de avaliar a evolução da saúde da criança e possam ser feitos qualquer ajuste necessários.

Inserir pratos veganos no cotidiano dos filhos não é missão impossível. “Para um lanche no colégio, podemos aproveitar as frutas picadas em potes hermeticamente fechados, pães integrais com pasta de soja ou creme de amendoim e incluirmos as oleaginosas como nozes, amêndoas, castanhas e frutas secas”, ensina a nutricionista Cleonice Pereira. Biscoitinhos caseiros de banana com aveia e uva-passa, um pote com granola e iogurte vegetal também são ótimas opções.

Benefícios à saúde

Por que deixar de comer carne, ovos, leite, queijos e outros alimentos de origem animal?

  1. Colabora com o desenvolvimento físico e mental da criança, pois ela estará livre de substâncias estimulantes e alergênicas presentes, por exemplo, na carne vermelha;
  2. Redução do risco de a criança adquirir vários tipos de doenças que afetam o seu desenvolvimento. Uma criança vegetariana adoece muito menos que uma criança onívora pelo fato de não estar exposta a substâncias causadoras de patologias encontradas nos alimentos de origem animal;
  3. Alimentos vegetais são anti-inflamatórios e antioxidantes, principalmente os vegetais crus como frutas e hortaliças;
  4. Uma alimentação que exclui os alimentos de origem animal pode ser balanceada e oferecer os nutrientes necessários para a boa saúde das crianças.
  5. As oleaginosas (castanhas, nozes e amêndoas) e as leguminosas (feijões, ervilhas, lentilhas e grão-de-bico) são boas fontes de proteína. Até mesmo a aveia – cereal fonte de carboidratos -, tem um percentual considerável de proteínas.

Fonte: SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e nutricionista Cleonice Pereira

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