Um retorno ao tempo ao visitar Tiradentes

Para aproveitar melhor o lado histórico da cidade mineira, tente fugir das datas mais movimentadas, como feriados


Gastei bons minutos observando o desenho da cidade de Tiradentes feito por Tarsila do Amaral na década de 1920, e também a pintura da Vila de São José, primeiro nome dado ao lugar, do alemão Johann Moritz Rugendas, do século 19. Levei ainda algum tempo na comparação entre as duas obras artísticas e as fotos que eu mesma fiz do destino. E a conclusão foi surpreendente: apesar do crescimento esperado de um lugar com mais de 300 anos de história, há muitas permanências. Da Serra de São José às igrejas coloniais.

“Foi bom que Tiradentes, mesmo depois de tombada em 1938, ficou no esquecimento por um tempo”, disse Rogério Almeida, diretor do Instituto Histórico e Geográfico da cidade. Ele é um dos tiradentinos que nasceram no centro histórico, mas que hoje se mudaram da região. A redescoberta da cidade pelo turismo, na década de 1980, trouxe especulação imobiliária e aumento de preços.

Foto: Divulgação
Além dos típicos casarões, está a antiga cadeia, onde funciona o Museu de Arte Sacra

Por outro lado, é justamente o potencial turístico de hoje a principal diferença que a cidade guarda em relação à vila do passado, marcada pela exploração de ouro e diamantes. No circuito de cidades históricas de Minas Gerais (mas fora da rota de risco das barragens que se romperam nos últimos tempos, por estar mais ao sul do Estado), Tiradentes encontrou um modelo para se destacar e reerguer sua economia: investiu em uma agenda de eventos anuais, assim como fez Paraty, no Rio de Janeiro, há alguns anos.

São cerca de 15 festivais, com destaque para o de cinema, em janeiro; o de fotografia, em março; o encontro de motociclistas, em junho; o de congadas, em julho; o festival gastronômico, em agosto; e o de artes, em setembro. Há ainda projetos como o de Carol Barbosa, uma das líderes do turismo local. Ela pretende oferecer dois passeios especiais: caminhada noturna para contar causos de assombração e caminhada por pontos que reconstroem a história das pessoas negras escravizadas na cidade.

Para aproveitar melhor o lado histórico e cultural, tente fugir das datas mais movimentadas. Delimitada pelo Rio das Mortes e a Serra de São José, Tiradentes também é um dos maiores refúgios de libélulas do mundo e área de proteção ambiental. E, a cerca de 7 horas de carro de São Paulo, é um ótimo destino para um feriado.

Em pouco tempo você entende o porquê de tantos forasteiros terem decidido se mudar para Tiradentes depois de visitá-la. Percebe a delícia de virar íntimo de alguém com apenas um dedinho de prosa Cuidado apenas com a armadilha do cafezinho: café de mineiro, você sabe, é um banquete.

Em Tiradentes vale a pena quebrar a dieta, ter muita memória na câmera fotográfica e liberar a imaginação para viajar aos tempos em que a cidade badalada de agora era a pacata vila de Rugendas e Tarsila.

Foto: Divulgação
De Tiradentes avista-se a Serra de São José, um dos limites da cidade

> DICAS ÚTEIS: Antes de sair de casa confira algumas informações práticas

Como chegar: São 481 km a partir de São Paulo pela Rodovia Fernão Dias até Lavras. Depois, mais 115 km até Tiradentes. Partindo de BH, são 192 km pela BR-040. De ônibus, a Util leva até São João del Rey, distante 20 quilômetros de Tiradentes (desde R$ 222 ida e volta; util.com br). O ônibus de linha sai a cada meia hora, há táxi e o Move SJ, o aplicativo local.

Passeios: Agências oferecem city tours e roteiros de natureza. Fiz os passeios com a Estrada Real Turismo (tiradentesestradareal. com.br). Há também a UaiSô (uaisoturismo com.br) e a UaiTrip (uaitrip.com.br).

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