Quito, a cara metade do Brasil

Cinco horas e meia de voo separam São Paulo e a capital do Equador, um destino incrível para se conhecer


A beleza monumental da fachada da Iglesia de San Francisco fica ainda mais impressionante ao badalar dos sinos. Assim que tocam, os pombos da praça decolam em uma revoada cenográfica. Logo, os olhos serão novamente atraídos por um dos mais majestosos casarios coloniais das Américas – por sinal, o primeiro a ser tombado como patrimônio histórico pela Unesco, em 1978. Seja bem-vindo a Quito, novamente ligada ao Brasil com voos diretos, saindo do aeroporto de Guarulhos.

Cinco horas e meia de voo separam São Paulo e a capital do Equador – rota outrora oferecida pela empresa local Tame, suspensa há quase três anos e, desde dezembro, operada pela Gol.

Foto: Divulgação
Menos popular aos brasileiros que outros destinos sul-americanos, Quito pode surpreender os turistas

Apesar da beleza intensa da igreja de 1604, não foi ela que mais chama a atenção na capital. Nenhum outro lugar soa tão idílico quanto a Igreja da Companhia de Jesus, a apenas alguns metros da de San Francisco, ela se destaca pela quantidade de ouro ali existente.

Já na Catedral Metropolitana de Quito, erguida com elementos de quatro estilos arquitetônicos – barroco, mourisco, clássico e neogótico – há uma escadinha estreita que leva até o teto da cúpula. Chega a ser claustrofóbico em vários momentos, mas vale o esforço. As abóbadas verdes compõem linda moldura para as fotos. O acesso normal à igreja custa US$ 3 (a moeda oficial do Equador é o dólar americano), US$ 6 com acesso ao terraço.

Plaza grande

Contemple, lá do alto, aposentados tomando sol enquanto crianças brincam na Plaza Grande, a principal do País. Quem dera todos os dissabores pudessem ser curados com uma “visita ao céu”. Por conta da altitude de Quito, 2.850 metros acima do nível do mar, não é raro ouvir este paralelo celestial.

Foto: Divulgação
Rara beleza barroca, com paredes, colunas, altar e teto inteiramente folheados a ouro

No centro, a independência conquistada em 1809 é celebrada com um monumento repleto de animais e simbolismos, que podem ser esclarecidos na companhia de um bom guia.

Ao lado da catedral fica o Palacio Carondelet, sede do governo do Equador e lar do presidente Lenin Moreno, eleito em 2017. Não se espante se vir algum grupo protestando com megafones na porta do imponente edifício branco com arcadas e colunas gregas. É bonita a ideia de proximidade do povo com o poder.

A arte de fazer chapéus

Algumas quadras ladeira abaixo do Palácio Carondelet, um antigo viaduto de pedras marca o comecinho de La Ronda. Boêmia e repleta de artesãos, a rua de paralelepípedos tem um quê de decadente, mas é necessária para entender o espírito de Quito.

Alguns bares feiosos não anulam o charme de quem fabrica ótimos produtos, de instrumentos musicais a chapéus, passando por sorvetes de sabores inusitados (como cúrcuma e sangria) até peões de madeira.

Por sinal, foi ali que encontrei Luiz Lopez, sujeito bom de papo que aprendeu com o pai, ainda cedo, a trançar chapéus. Explicou pacientemente a diferença entre cada trabalho e porque um sombrero pode custar até US$ 8 mil (R$ 30 mil).

O número de tramas por centímetro quadrado dá uma ideia do tempo levado para confeccionar cada um. Assim, estamos falando do trabalho de um dia ou de um ano. Por US$ 30 comprei o meu autêntico chapéu equatoriano, feito por ele ao longo de 48 horas. Ai de ti ousar dizer “chapéu panamá”.

Saiba mais…

Altitude: Quito está 2.850 metros acima do nível do mar – em alguns passeios, chega-se a mais de 4 mil metros. Para evitar o mal de altitude, tome muito líquido, caminhe devagar e não exagere nas bebidas alcoólicas.

Clima: não há grandes variações climáticas na capital: a mínima é de 9 graus e a máxima, de 21, praticamente o ano todo.

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