O calendário de operas da capital paulista

Será um ano para refletir e cobrar resultados das propostas nascidas ao longo da última temporada


Há duas maneiras de olhar para a temporada de óperas em São Paulo em 2020. A primeira delas traz apenas boas notícias. No Theatro Municipal, serão sete títulos; no Theatro São Pedro, seis (se considerarmos as duas produções da Academia). Treze, no total, cinco a mais do que em 2019.

A escolha de títulos também parece promissora. O Municipal criou uma temporada em que convive o grande repertório (com Aida, de Verdi, e Don Giovanni, de Mozart) e a encomenda de duas novas obras (Navalha na Carne, de Leonardo Martinelli, e Homens de Papel, de Elodie Boundy, ambas inspiradas em Plínio Marcos).

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Na área musical, serão apresentadas produções inéditas de West Side Story, de Bernstein, Porgy & Bess, de Gershwin, Ariadne em Naxos, de Strauss, e Capuletos e Montéquios, de Bellini; além da série sinfônica que comemora os 10 anos da Orquestra do Theatro São Pedro

E, no São Pedro, duas peças-chave do teatro americano do século 20, Porgy and Bess, de Gershwin, e West Side Story, de Bernstein, além de Ariadne auf Naxos, de Strauss, e um símbolo do bel canto, Capuletos e Montéquios, de Bellini.

Dizem que o otimista é um pessimista mal informado. Exagero. Mas há um contexto por trás das duas programações que sugerem um outro olhar para o ano que começa agora.

ESPAÇO

No Municipal, a temporada 2020 mostra que, apesar da abertura para outros gêneros, o teatro não diminuiu o espaço para a ópera.

Mas a escolha de óperas como Aida e Don Giovanni, ainda que elas possam ser sempre relidas, veio com a lembrança de que ambas foram produzidas recentemente pelo teatro, o que nos remete também ao fantasma da ausência de uma Central Técnica de Produção que permita que as produções sejam guardadas, otimizando as temporadas e evitando o eterno recomeço.

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No Theatro Municipal de São Paulo, serão sete títulos ao longo deste ano

No São Pedro, por sua vez, a presença de Gershwin e Bernstein, dois autores americanos, quebrou um ciclo de diversidade que o teatro vinha construindo. Mas ela se impôs pela decisão de diversificar a programação, abrindo espaço para musicais e outros gêneros, questionando abertamente a validade de um teatro dedicado à ópera.

Ficamos com a visão pessimista ou otimista? Nenhuma das duas talvez dê conta sozinha da realidade. Será, portanto, um ano para observar, refletir – e cobrar resultados das propostas nascidas ao longo da última temporada.

250 ANOS

Orquestras celebram o legado de Beethoven

Beethoven completa 250 anos apenas em dezembro. Mas até lá a temporada musical brasileira será inundada por dezenas e dezenas de concertos que homenageiam o compositor. Com as principais agendas anunciadas, o público terá acesso, no palco, a praticamente a obra completa do autor – em séries que dizem tanto sobre o músico quanto sobre o momento de algumas das principais instituições musicais do País.

Ao anunciar a programação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, o diretor artístico Arthur Nestrovski definiu Beethoven como alguém que mudou não apenas nossa noção do que é a música – mas também do que é e pode ser a humanidade.

A Filarmônica de Minas Gerais, por sua vez, falou na celebração de “uma mente revolucionária” e de um “espírito inquieto”. No Theatro Municipal de São Paulo, o diretor Hugo Possolo definiu a produção da ópera Fidelio, com sua mensagem a favor da liberdade e contra o autoritarismo, como uma “obrigação”.

É tudo verdade. Assim como o fato de que, na Osesp, o ciclo da primeira à oitava sinfonias será o primeiro projeto de vulto do novo regente titular, Thierry Fischer, aos quais os olhos se voltam a partir de 2020.

Na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, o Festival Beethoven marca uma nova maneira de organizar a temporada, com festivais temáticos, e a aposta no retorno à vocação original do espaço, a música de câmara. No Municipal de São Paulo, a produção de Fidelio, que será realizada fora do teatro, é um dos símbolos de uma nova proposta artística idealizada para a casa.

Na Sala São Paulo, outro destaque é a integral das 32 sonatas para piano, que também serão tocadas na Sala Cecília Meireles, onde haverá ainda integrais da obra para violoncelo e piano, além das sonatas para violino e uma série com os trios e os últimos quartetos. João Luiz Sampaio_Agência Estado

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